TSE forma maioria para tornar Cláudio Castro inelegível



O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) inelegiu nesta terça-feira (24) o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. Após a decisão, Castro anunciou que pretende recorrer.

“Depois de obter acesso à decisão, pretendo recorrer e lutar até à última instância para restabelecer o que considero um desfecho justo para este caso”, afirmou em comunicado. A condenação prevê oito anos de inelegibilidade, a partir de 2022.

Em outras palavras, se os recursos forem negados, Castro será inelegível até 2030. Até que o caso se torne definitivo, ele poderá disputar as eleições deste ano “sub judice”. O ex-governador renunciou ao cargo às vésperas do julgamento para concorrer a uma vaga no Senado. O placar foi 5 a 2.

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A ministra Isabel Gallotti, relatora do caso, defendeu a condenação do ex-governador. Os ministros Antonio Carlos Ferreira, Floriano de Azevedo Marques, Estela Aranha e a presidente do TSE, Cármen Lúcia, seguiram o entendimento do relator.

O ministro Nunes Marques votou pela absolvição do ex-governador. O ministro André Mendonça discordou parcialmente da posição de Gallotti e defendeu a manutenção da elegibilidade de Castro.

A denúncia trata da contratação de 27 mil funcionários temporários da Fundação Centro de Pesquisas e Estatísticas do Estado do Rio (Ceperj) e da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), que teriam atuado como colportores na campanha à reeleição de Castro em 2022.

Com a renúncia de Castro, o presidente do Tribunal de Justiça (TJRJ), desembargador Ricardo Couto, assumiu interinamente o governo do Rio. Caberá a Couto organizar o eleição indireta na Alerj para definir quem vai comandar o estado até a escolha de um novo governador nas eleições deste ano.

TSE revoga mandato de Bacellar

Além do ex-governador, outras 12 pessoas estão sendo julgadas pelo TSE. Eles negam qualquer irregularidade. O vice de Castro, Thiago Pampolha (MDB), renunciou ao cargo em maio de 2025 para assumir o cargo de assessor do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).

Por maioria, o TSE considerou preconceituosa a revogação do diploma de Pampolha. A Justiça multou o ex-deputado de Castro em 5 mil Ufir (Unidade de Referência Fiscal).

O deputado licenciado Rodrigo Bacellar (União), afastado da presidência da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), foi condenado a impeachment e inelegibilidade.

Gabriel Rodrigues Lopes, ex-presidente do Ceperj, foi declarado inelegível. O TSE multou Castro, Bacellar e Lopes no valor de 100 mil Ufir.

A Justiça Eleitoral também determinou novas eleições para o governo do estado e a recontagem dos votos para deputado estadual, excluindo os votos apurados para Bacellar.

Mendonça vota para manter Cláudio Castro elegível

O ministro André Mendonça acompanhou parcialmente o relator, mas considerou que Cláudio Castro deveria continuar elegível. Segundo Mendonça, a responsabilidade do ex-governador limitou-se à sanção da lei estadual 9.255/2021 e à edição do decreto 47.978/2022.

Ele afirmou que a utilização dessas regras de forma distorcida não leva automaticamente à participação do ex-governador na irregularidade.

“Não vejo evidências suficientes para estabelecer segurança jurídica, além de qualquer dúvida razoável, quanto à responsabilidade direta ou mesmo indireta do governador e candidato à reeleição nas irregularidades cometidas na Fundação Ceperj e na Uerj”, disse.

Mendonça afirmou que a renúncia de Castro tornou prejudicado o pedido de cassação de seu mandato. “Embora tenha colhido os dividendos eleitorais, o que de fato justificaria o seu impeachment, caso não tivesse renunciado, a sanção de inelegibilidade por insuficiência de provas não se aplica aqui”, acrescentou.

Nunes Marques aponta falta de provas contra Castro

Nunes Marques considerou que não foram apresentadas provas suficientes de que Cláudio Castro teria beneficiado com a contratação dos funcionários.

Para o ministro, ainda que os fatos “mostrem relevância”, a repercussão eleitoral “não está comprovada”. “A soberania popular não se protege com a substituição do eleitor”, afirmou.

“Não há democracia sem ética”, diz presidente do TSE

Cármen Lúcia destacou a “tristeza de mais uma vez” julgar um caso de “práticas gravíssimas” por parte de governantes que “receberam do bom povo do Rio de Janeiro a tarefa de representá-los”.

“Não há democracia sem ética, sem rigor na aplicação dos princípios constitucionais, da moralidade administrativa e eleitoral e do tratamento impessoal da coisa pública”, afirmou o ministro.

Veja a nota completa de Cláudio Castro

“Tenho plena convicção de que sempre governei o Rio de Janeiro dentro da lei, com responsabilidade e compromisso absoluto com a população.

Recebo com muito descontentamento a decisão que, hoje, vai contra a vontade soberana dos quase 5 milhões de eleitores cariocas que me confiaram o mandato de governador no primeiro turno das eleições de 2022.

Reitero meu absoluto respeito aos ministros do TSE e ao devido processo legal, mas é importante dizer que todas as acusações levantadas no processo referem-se a questões anteriores ao período eleitoral de 2022 e não tiveram influência na expressiva votação que recebi. Isso foi reconhecido pelo TRE do Rio de Janeiro.

Após obter acesso à decisão, pretendo recorrer e lutar até a última instância para restabelecer o que considero um desfecho justo para este caso.”



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