
A Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou nesta terça-feira (18) contra o pedido de extinção da pena do tenente-coronel Mauro Cid no processo criminal pela suposta tentativa de golpe de Estado. No mesmo parecer, a PGR pediu à defesa que informe se os militares têm interesse em ingressar no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas.
Ele foi condenado a dois anos de prisão aberta e teve seu direito à liberdade garantido sob o acordo de delação premiada. A ação contra o ex-ajudante de campo de Jair Bolsonaro (PL) foi encerrada no dia 29 de outubro.
Em seguida, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou o início da pena e impôs algumas restrições, como comparecimento semanal à Justiça e confinamento domiciliar noturno, mas autorizou o militar a retirar a tornozeleira eletrônica.
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No dia 3, a defesa solicitou o reconhecimento da extinção da pena, argumentando que a pena já teria sido cumprida, caso fosse considerado o período em que Cid esteve sob medidas cautelares restritivas.
Contudo, o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet, destacou que “é fundamental, para o reconhecimento da detenção, que haja uma restrição efetiva à liberdade de circulação do recluso”. Mencionou que o próprio Tribunal reconhece que não é possível reduzir as penas pelo período de cumprimento de medidas cautelares diferentes da prisão.
“No caso em análise, Mauro Cesar Barbosa Cid permaneceu em prisão preventiva em duas ocasiões: entre 5.3.2023 e 9.9.2023 e entre 22.3.2024 e 5.3.2024, períodos que não atingem os dois anos fixados em sua condenação. Não há, portanto, hipótese de extinção da pena do réu”, enfatizou Gonet.
A PGR defendeu a regular execução da pena depois de descontado o período em que Cid esteve preso preventivamente. Cabe ao relator decidir sobre o tema.
Defesa de Mauro Cid deverá opinar sobre programa de proteção
Na semana passada, a Polícia Federal sugeriu a inclusão de Cid e seus familiares no programa de proteção a testemunhas. Ao determinar a execução da pena, Moraes autorizou a PF a praticar ações para manter a segurança do tenente-coronel e de sua família.
“Com relação à inclusão de Mauro Cesar Barbosa Cid e seus familiares no Programa Federal de Assistência a Vítimas e Testemunhas Ameaçadas, a Procuradoria-Geral da República considera intimar a defesa, para eventual manifestação de interesse”, disse Gonet.
