O ministro Camilo Santana, da Educação, defendeu que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retire os gastos com educação do quadro fiscal, o que poderia levar a um maior endividamento nas contas públicas. A alegação é que esta rubrica orçamental precisa de ser deixada de fora da regra fiscal para atingir os objectivos de alfabetização da população.
Para o ministro, que baseia sua opinião na gestão do governo cearense, a retirada dos gastos com educação do arcabouço fiscal deveria seguir a mesma lógica do pagamento da dívida pública, como “prioridade”.
“Você sabe quanto o Brasil está pagando de dívida pública, só de juros? Vamos pagar talvez mais de R$ 1 trilhão este ano. BBC News Brasil publicado nesta segunda-feira (20).
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Camilo Santana afirma que fez o mesmo quando governou o Ceará entre 2015 e 2022, e que isso ajudou o estado a melhorar seus índices de educação.
“Fui governador de um Estado, criei o teto de gastos na época também. Deixei de lado a saúde e a educação, que acho que é papel do Estado garantir isso. [com o arcabouço]não conseguiremos ampliar os investimentos da forma que o Brasil precisa”, pontuou.
Não apenas a retirada dos gastos com educação do quadro fiscal, Santana afirma que a ampliação dos investimentos deve estar atrelada a metas e monitoramento, como o aumento dos repasses de ICMS de acordo com os resultados alcançados.
Ainda na entrevista, Camilo Santana negou que o programa Pé-de-Meia tenha viés eleitoral para tentar reeleger Lula nas eleições de 2026. A iniciativa foi lançada no ano passado com repasses mensais e anuais a estudantes de baixa renda que frequentam aulas e avançam nos estados, ao custo de R$ 12 bilhões por ano.
“A oposição faz essa crítica, mas, no último governo, por exemplo, quase 6 mil projetos de educação básica ficaram abandonados. […] Pé-de-Meia não é um programa de transferência de dinheiro. Dá para perceber que há alunos cuja transferência está suspensa”, acrescentou.
Uma investigação realizada em março deste ano mostrou que pelo menos três cidades brasileiras têm mais pessoas recebendo o benefício do que estudantes matriculados na rede pública de ensino, nos estados da Bahia, Pará e Minas Gerais.
Verificou-se também que o benefício foi pago a 90% dos estudantes do ensino médio em pelo menos 15 cidades de cinco estados brasileiros. Em meio às inconsistências, ainda eram feitos pagamentos a beneficiários que não atendiam aos critérios de renda mínima do programa.
O Ministério da Educação respondeu à investigação afirmando que a responsabilidade pelas informações prestadas “é das secretarias estaduais de Educação”, e que trabalhou junto aos estados para corrigir eventuais problemas relacionados ao programa.
