
O ministro Edson Fachin assumiu o cargo, na segunda-feira (29), na presidência do Supremo Tribunal Federal (STF), por um mandato de dois anos. No cargo, terá o poder de orientar, de acordo com o relator de cada processo, os julgamentos mais importantes do Tribunal, mantidos no plenário, formados pelos 11 ministros. Na mesma cerimônia, ele assumiu o cargo de vice-presidente Alexandre de Moraes, que substituirá a conduta de sessões quando Fachin estiver ausente.
No discurso inaugural, Fachin defendeu uma separação de poderes que respeita a política, desde que dentro dos limites permitidos pela Constituição. “Repito: até a lei, o que é da lei. Para política, o que é da política. A espacialidade da política é delimitada pela Constituição. A separação de poderes não autoriza nenhum deles a agir de acordo com os objetivos que se distanciam do bem comum”, disse ele.
O ministro também disse que presidir a Suprema Corte não dá privilégios, mas “expande as responsabilidades”. Mais tarde, ele defendeu o dever de imparcialidade dos magistrados.
“A independência judicial não é um privilégio, mas uma condição republicana. Um judiciário submisso, seja o que for, mesmo que seja para o populismo, perde sua credibilidade. A disposição judicial não é um espetáculo.
O atual presidente Luiz Inacio Lula da Silva estava presente na cerimônia; Vice -presidente Geraldo Alckmin; Presidentes do Senado David Alcolumbre e House, Hugo Motta; o procurador -geral da República, Paulo Gonet; e também ministros de tribunais superiores e alguns ministros aposentados da Suprema Corte.
Fachin acumulará a presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), um órgão administrativo que supervisiona a conduta de magistrados em todo o país e, finalmente, delibera sobre a ausências disciplinares e a política de remuneração judicial.
Como presidente da Suprema Corte, Fachin também representará o judiciário institucionalmente. Assim, será chamado para dar uma opinião sobre quaisquer mudanças na legislação que afetem o funcionamento da justiça e aplicação de leis em processos civis e criminais.
Responsável pela Suprema Corte, Fachin herdará o confronto em torno da tentativa do direito de anistiar o ex -presidente Jair Bolsonaro e os condenados de 8 de janeiro de 2023.
Em princípio, não será atendido pelo julgamento de apelações contra a condenação de Bolsonaro, que será continuada pela primeira classe da Suprema Corte, formada por Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Carmen Lúcia e Cristiano Zanin.
Mas pode participar de qualquer julgamento sobre a constitucionalidade da lei que possa ser aprovada pelo Congresso por anistia ou nova dosimetria para os crimes. Caberá a Fachin definir a data do julgamento da ação que vem sobre o assunto.
Agenda inicial de Fachin no STF
Fachin já definiu uma agenda para a primeira sessão que presidirá, na próxima quarta -feira (1ª): o julgamento duas ações que discutem o relacionamento entre motoristas e pedidos de transporte. O plenário decidirá se existe um vínculo trabalhista na linha do CLT, com todos os benefícios e cobranças, ou se o relacionamento é uma parceria, sem direitos de trabalho.
No mesmo dia, ele também guiou uma ação do PSOL contra o destino de 862 hectares do Parque Nacional Jamanxim para Fergrão, ferroviária que visa conectar Pará/PA a Mato Grosso/Mt, para drenar produtos agrícolas.
Quem é e o que Edson Fachin pensa
Nascido em 8 de fevereiro de 1958 em Rondinha (RS), Fachin se formou em direito na Universidade Federal de Paraná (UFPR), onde também é professor de direito civil. Ele obteve o título de Master (1986) e Doctor (1991) em direito na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), Stronghold de esquerda tradicional em direito.
Ele fez pós -doutorado no Canadá, foi pesquisador do Instituto Max Planck na Alemanha e professor visitante no King’s College, na Inglaterra.
Prior to taking office at the Supreme Court in June 2015, nominated by then-President Dilma Rousseff, he was a lawyer (1980-1982), legal attorney at the Paraná Institute of Land, Cartography and Forests (1982-1987), Attorney General of Incra (1985), Attorney of the State of Paraná (1990-2006) and Referee of the Chamber of Conciliation and Mediation of FIESP (2012) Comércio Brasil-Canada.
Como Fachin votou no 10º aniversário do STF
A decisão mais marcante de Fachin em seus 10 anos de STF ocorreu em março de 2021, quando ele anulou monocraticamente as duas condenações de Lula no Lava Jato. A decisão foi confirmada pelo plenário do STF em 8 votos a 3 no mesmo mês.
A ação mais importante que relatou, nos últimos anos, foi a favelas ADPF, na qual, até 2020, ele proibiu operações policiais nas colinas de Cariocas. Desde então, sob sua conduta, a Suprema Corte disciplinou a polícia atuando nas favelas, forçando as empresas a ter mais controle e transparência para reduzir a violência.
