
A deputada federal Luciene Cavalcante (PSOL-SP) processou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), órgão da Organização dos Estados Americanos (OEA), contra a decisão do Congresso Nacional de derrubar o veto do presidente Lula (PT) ao projeto de dosimetria.
A denúncia também conta com a assinatura do deputado estadual Carlos Giannazi (PSOL-SP) e do vereador paulista Celso Giannazi (PSOL), que integram o coletivo “Educação em 1º Lugar”.
Cavalcante anunciou o feito nesta sexta-feira em suas redes sociais. Segundo ela, a redução das penas é “um retrocesso e um ataque direto aos direitos humanos, à proteção judicial efetiva e à defesa da nossa democracia”. Como base, ela cita a Convenção Americana sobre Direitos Humanos, conhecida como Pacto de São José da Costa Rica.
A derrubada do veto, ocorrida nesta quinta-feira (30), somou mais uma forte derrota ao Planalto, logo após a rejeição do procurador-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Foram 168 votos pela manutenção do veto contra 367 pela volta da lei. Agora, o presidente Lula (PT) tem 48 horas para promulgar o texto. Depois disso, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), fica legalmente autorizado a fazê-lo. É isso que a denúncia à OEA pretende evitar.
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Em entrevista com Notícias do SBTo ministro Gilmar Mendes deu como certo que o governo acionaria o Supremo para tentar restabelecer o veto. O reitor demonstrou que não pretende defender uma rejeição imediata baseada no respeito à decisão dos senadores e deputados.
O foco da ação, como já sugerem as críticas da sessão conjunta, deveria ser a exclusão, da análise, de um trecho que pudesse conflitar com a lei antifacções. A decisão pelo prejuízo foi tomada unilateralmente por Alcolumbre.
As seções flexibilizaram a progressão do regime no caso de crimes hediondos em geral, milícias privadas e feminicídios, exatamente o oposto do endurecimento dado pela inovação no combate ao crime organizado. Com isso, o veto foi apenas parcialmente derrubado, já que a seção perigosa nem sequer estava na ordem do dia.
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), contestou. Para ele, “é impossível fatiar algo porque não é mais a fase de elaboração do processo legislativo. É a fase do Congresso Nacional concordar ou não com o veto do Presidente da República”.
