Dino diz que regulação é o que garante a liberdade nas redes



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino defendeu nesta quinta-feira (23) a regulamentação das redes sociais implementada pela Corte, mas afirmou que os ministros gostariam que o Congresso tivesse decidido sobre o tema.

“Gostaríamos que o Congresso tivesse atualizado o Marco Civil, porque 11 anos em termos de evolução tecnológica é muito tempo”, disse. Segundo Dino, o STF tem consciência das dificuldades em legislar sobre tecnologia dada a polarização da sociedade. Ele destacou que o cenário atual “torna a atividade legislativa muito onerosa”.

“Como o Congresso aprova uma lei, mesmo que sobre um tema específico, isso deve ser visto como um salto qualitativo, num momento em que temos a hiperjudicialização”, afirmou. O ministro destacou que esta sobrecarga desproporcional do Judiciário, “ao contrário do que alguns imaginam, é indesejável”.

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O juiz participou do 28º Congresso Internacional de Direito Constitucional, promovido pelo Instituto Brasileiro de Educação, Desenvolvimento e Pesquisa (IDP), fundado pelo ministro Gilmar Mendes.

Ele falou no painel “Design, segurança e bem-estar em ambientes digitais: O novo regime de proteção digital do ECA e as consequências para a regulação da internet no Brasil”.

Em junho, a Corte declarou parcialmente inconstitucional o artigo 19 do Marco Civil da Internet, aumentando a responsabilidade das redes sociais pelas publicações dos usuários. Para Dino, o argumento de que qualquer regulação se opõe à liberdade não se sustenta, pois “a regulação garante a liberdade”.

“É falsa essa ideia de que qualquer legislação impede a liberdade e de que bastariam os contratos, sem sequer respeitar o Código Civil, ignorando o Código de Defesa do Consumidor e toda a herança civilizacional”, disse.

O ministro considera que a ECA Digital está em diálogo com a decisão do Supremo sobre redes. “A ideia de que a responsabilidade só decorre da obrigatoriedade da decisão judicial de remoção de conteúdos já não atende, sob o escrutínio da proporcionalidade, da proteção insuficiente, da rapidez e do peso da divulgação desta notícia, conduzindo a danos irreversíveis”, afirmou.

Ele considerou que implementar mudanças exige um esforço coletivo. “O Supremo pode fazer muito, mas não pode fazer tudo, principalmente nessas questões de tecnologia”, pontuou.

Dino incita o Congresso sobre decisões monocráticas

Dino reiterou que todas as decisões pertinentes do STF são colegiadas. A declaração ocorre um dia depois de a Câmara dos Deputados aprovar o projeto de lei que limita as decisões monocráticas da Corte e restringe a atuação de pequenos partidos na Corte. O texto foi encaminhado ao Senado.

“Você pode até chamar seu vizinho ou alguém da sua família de ‘monocrático’, porque todos os dias xingam o STF por isso. Não sei exatamente de onde você tirou a ideia de que todas as decisões do STF são monocráticas, já que todas as decisões relevantes são colegiadas”, pontuou.

Mais cedo, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), um dos cogitados para a vaga do ministro aposentado Luís Roberto Barroso, disse ser a favor da restrição de integrantes da Corte.

“Defendi e defendi, na época da presidência do Senado, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que regulamenta as decisões monocráticas dos tribunais superiores, notadamente do Supremo Tribunal Federal”, disse Pacheco aos jornalistas.

“Considero que uma lei votada pelas duas Casas, pelo Senado e pela Câmara dos Deputados, e sancionada pelo Presidente da República, só pode ter sua constitucionalidade questionada pelo Supremo Tribunal Federal”, acrescentou.



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