
Nó Último programa de Análise desta segunda-feira (04)os participantes falaram sobre o conflito silencioso entre dois órgãos da República. De um lado, está o Supremo Tribunal Federal (STF), que pretende ampliar suas competências, com a aproximação das eleições. De outro, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que luta para fazer valer suas competências diante da discricionariedade do Tribunal.
“Infelizmente, cada vez que o STF considerou as manifestações dos candidatos, viu um ataque à democracia nacional. O STF criou uma ameaça contínua, uma verdadeira sombra perpétua, que povoará a eleição e ameaçará a autoridade do TSE”, avalia o professor da FGV Daniel Vargas.
Ainda assim, como pano de fundo da atuação do STF, o “inquérito das fake news” persiste por tempo indeterminado. Dessa forma, possíveis críticas ao Judiciário, ao sistema eleitoral e aos candidatos podem ser enquadradas no procedimento e afetar a dinâmica eleitoral.
“As questões eleitorais são de responsabilidade da Justiça Eleitoral e não haveria como o STF atrair uma competência que não lhe pertence. Porém, a Corte tem recorrido a procedimentos criminais com efeitos eleitorais. Por exemplo, no caso da investigação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ)”, alerta o ex-juiz de Direito Adriano Soares da Costa, lembrando o caso do cargo de senador contra o presidente Lula (PT).
Crise de credibilidade
A questão também é atribuída a uma mudança de comportamento do STF, que passou a atuar como agente político. O caso do Banco Master, por exemplo, revelou que membros do Poder Judiciário, como os ministros Dias Toffoli e Alexandre de Moraes, podem ter ultrapassado os limites do Poder Judiciário.
Segundo Soares da Costa, há uma “má percepção” da população em relação ao STF. “Hoje vemos ministros se manifestando politicamente em casos delicados, outros discutindo com o Congresso Nacional. Alguns magistrados falam como se fossem políticos e não preservam seu papel de juízes”.
Em nota desta segunda-feira (04), o ministro Gilmar Mendes defendeu a atuação do Supremo e afirmou que todo o país passa por uma crise de credibilidade. “Tentar resolver a crise de confiança, visando apenas o Supremo Tribunal Federal, é no mínimo ingênuo, mas provavelmente miopia deliberada e intenções obscuras”, disse o reitor.
“Pode ser difícil para os ministros entenderem, mas quando falamos em STF, a imagem de integridade, de independência de interesses econômicos e políticos, é muito mais necessária do que no caso de um político, cuja atuação depende de um alinhamento ideológico com interesses”, afirma Vargas.
O programa Análise mais recente faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo da Gazeta do Povo, no YouTube. O horário de exibição é das 19h às 20h30, de segunda a quinta-feira. A proposta é discutir de forma racional, aprofundada e respeitosa alguns dos temas desafiadores para os rumos do país.
