Relator pede suspensão de deputados da oposição por protesto



O deputado Moisés Rodrigues (União-CE) recomendou nesta terça-feira (28) ao Conselho de Ética da Câmara a suspensão por dois meses dos deputados Marcos Pollon (PL-MS), Marcel Van Hattem (Novo-RS) e Zé Trovão (PL-SC).

Em agosto de 2025, deputados da oposição obstruíram fisicamente os trabalhos da Câmara, ocupando a Mesa Diretora em protesto contra a prisão domiciliar do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“Esta Câmara deve impor uma repreensão severa, para que fique claro que este Parlamento não tolera a prática de infrações desta natureza”, disse Rodrigues.

“Não se pode aceitar que um grupo de parlamentares, seja qual for a sua ideologia política, tente impor a agenda do seu interesse através da chantagem através da ocupação física de espaços de deliberação”, acrescentou.

Os deputados negam quaisquer irregularidades e afirmam que a manifestação está protegida pela imunidade parlamentar.

O deputado Ricardo Maia (MDB-BA) apresentou relatório recomendando a suspensão do mandato de Pollon por 90 dias, informou ao Agência Câmara. Pollon é acusado de fazer insultos pessoais ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

O líder da oposição na Câmara, Cabo Gilberto Silva (PL-PB), pediu para ver os relatórios, que deverão ser analisados ​​no dia 5 de maio. Outros parlamentares que participaram do motim receberam punições mais brandas, como advertências.

Deputados falam em “perseguição” e apelam à mobilização contra opinião

Van Hattem classificou o parecer como um ato de “perseguição sem fim”. “Vamos precisar de muita mobilização de todos para derrotar o parecer na próxima semana”, disse o deputado do Novo no X.

“Estamos sendo alvo de uma injustiça, por lutarmos pela anistia de 8 de janeiro. O relator do Conselho de Ética, pede a suspensão do meu mandato por dois meses. Dois meses suspensos por lutar pela nossa liberdade. Aviso que não vamos voltar atrás”, afirmou Zé Trovão.

Pollon disse que “estão tentando silenciar um parlamentar por cumprir seu dever e dar voz àqueles que foram tratados com abusos e continuam pagando um preço desproporcional”.

Oposição ocupou mesas da Câmara e do Senado

A ocupação da Mesa Diretora da Câmara e do Senado durou cerca de 30 horas. Na época, Motta e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), tiveram que cancelar sessões e convocaram reuniões de líderes para tentar facilitar a saída de parlamentares.

Durante o protesto, Zé Trovão impediu que Motta subisse até a mesa do plenário, criando uma barreira com a perna na escada de acesso. O impasse durou alguns instantes, até que o parlamentar permitiu a passagem.

Mesmo assim, o presidente da Câmara demorou mais de 5 minutos para chegar à sua cadeira, mas não conseguiu sentar-se, pois Van Hattem e Pollon recusaram-se a desocupar a mesa. O impasse só foi resolvido após a intervenção de outros deputados.



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