
Neste sábado (25), o mundo voltou os olhos para o Washington Hilton, palco de nova tentativa de assassinato contra o presidente Donald Trump. Numa impressionante coincidência histórica, no mesmo hotel, há 45 anos (com diferença de menos de um mês no calendário), o colega republicano Ronald Reagan quase perdeu a vida num atentado que marcou a última década da Guerra Fria.
Na segunda-feira, 30 de março, Reagan estava saindo do hotel depois de falar com milhares de trabalhadores quando foi baleado por John Hinckley Jr. Era um jovem perturbado que, aparentemente, tentava chamar a atenção e que foi capturado vivo, como o atirador de sábado, Cole Allen.
Hinckley disparou seis vezes. Uma das balas ricocheteou na blindagem da limusine e atingiu Reagan sob a axila esquerda, perfurando seu pulmão e parando a menos de um centímetro de seu coração.
Naquela ocasião, um policial, um agente do Serviço Secreto e o secretário de imprensa James Brady, parcialmente paralisado, também ficaram feridos.
Ícone da liberdade e do conservadorismo moderno, Reagan também manteve um bom senso de humor nesses momentos. Ao ver a primeira-dama Nancy Reagan no hospital, ele brincou: “Querida, esqueci de me abaixar”. Ele até disse aos médicos, antes de ser operado, que esperava que fossem republicanos.
Trump sob ataque
A segurança no Washington Hilton já havia sido reforçada após o episódio de 1981 com a criação de uma passagem chamada “Caminhada do Presidente“. Ela foi testada novamente por um atirador descrito como um “lobo solitário” pelo próprio Trump.
O ataque de sábado ocorreu durante o jantar anual da Associação de Correspondentes da Casa Branca. O caos tomou conta do salão de baile quando estrondos interromperam o evento.
Agentes do serviço secreto cercaram Trump e a primeira-dama Melania, retirando-os enquanto convidados em trajes formais procuravam abrigo sob as mesas.
O legado de Ronald Reagan
Ronald Reagan sobreviveu ao ataque de 1981 e governou os Estados Unidos até 1989, sendo o penúltimo presidente antes do fim da União Soviética.
Depois de deixar a presidência com altos índices de popularidade, enfrentou o mal de Alzheimer, doença que revelou ao público em carta emocionada em 1994.
Reagan morreu em 5 de junho de 2004, aos 93 anos, em sua casa na Califórnia, devido a complicações de pneumonia. Atualmente, é considerado um dos fortes defensores da democracia e da liberdade económica no século XX.
