O ministro Flávio Dino acompanhou o relator Alexandre de Moraes nesta terça-feira (21) e votou pela condenação do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) por difamação contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP).
Com o voto de Dino, o placar no plenário virtual da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) chega a 3 a 0 para a condenação. A ministra Cármen Lúcia acompanhou Moraes na segunda-feira (20).
O julgamento está aberto desde sexta-feira (17) e tem previsão de término no dia 28 de abril. Com três votos a favor da condenação, está formada a maioria da Primeira Turma, formada por cinco ministros. Ainda falta o voto de Cristiano Zanin —o quinto integrante, o ministro Nunes Marques, atua como revisor do processo.
Na votação que abriu o julgamento, Moraes fixou pena de um ano de detenção aberta e multa de 39 dias, sendo cada dia equivalente a dois salários mínimos —o que totaliza cerca de R$ 126,4 mil em valores atuais.
O relator descartou a possibilidade de substituição da pena privativa de liberdade por medidas alternativas, já que Eduardo Bolsonaro se encontra em “local incerto e desconhecido”, conforme atestado em outro processo criminal em tramitação no STF.
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Moraes considera falsas publicações sobre o PL dos absorventes
O caso tem origem em publicações feitas por Eduardo Bolsonaro em Xentão ligou Twitterem outubro de 2021, durante a tramitação do projeto de lei de autoria de Tabata Amaral sobre a distribuição gratuita de absorventes higiênicos em espaços públicos.
Nesse período, o então presidente Jair Bolsonaro (PL) havia vetado projeto semelhante voltado para estudantes de baixa renda e pessoas em situação de vulnerabilidade, o que gerou forte reação política.
Eduardo compartilhou uma montagem sugerindo que Tabata Amaral teria criado o projeto para beneficiar o empresário Jorge Paulo Lemann, identificado como financiador de sua campanha eleitoral e suposto sócio da P&G, fabricante de absorventes internos.
Pelo voto de Moraes, nenhuma das três afirmações tinha base factual: Lemann não teria financiado a campanha de Tabata, não teria participação na P&G e o deputado não teria atuado a favor de nenhum lobby.
Questionado no STF, Eduardo admitiu ser o responsável pelas publicações, mas não conseguiu identificar a origem das informações que divulgou. Para Moraes, esse reconhecimento destacou o dolo: “ao concordar que as declarações não provêm de fontes confiáveis, o réu revela o dolo utilizado na ação difamatória”, registrou o ministro na votação.
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Eduardo Bolsonaro questiona imparcialidade de Alexandre de Moraes
Às vésperas do início do julgamento, Eduardo Bolsonaro publicou críticas à atuação de Moraes no caso, questionando a imparcialidade do ministro. O ex-deputado destacou que Moraes esteve presente no casamento de Tabata Amaral com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), realizado em fevereiro deste ano. “Já imaginou ser condenado por um juiz amigo de quem está te processando?”, escreveu Eduardo nas redes sociais.
A defesa de Eduardo também havia reivindicado imunidade parlamentar durante todo o processo, argumento rejeitado por Moraes. Para o relator, a proteção constitucional só vale quando as manifestações estiverem relacionadas ao exercício do mandato legislativo —o que não ocorreu neste caso. As publicações, segundo a votação, “ultrapassaram o desempenho da função legislativa” e constituíram ofensa à honra objetiva do parlamentar.
A Procuradoria-Geral da República manifestou-se favorável à condenação, concluindo que o crime de difamação, previsto no art. 139 do Código Penal, com as agravantes de ter sido cometido contra servidor público no exercício de suas funções e divulgado em redes sociais —o que, por lei, triplica a pena.
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