
A ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia afirmou nesta sexta-feira (17) que a crise de confiabilidade no Judiciário é “grave e grave” e precisa ser reconhecida pelos magistrados. A posição vai ao encontro da do presidente do STF, Edson Fachin, que defendeu mudanças no funcionamento do próprio Tribunal.
“A crise de confiabilidade é grave, grave e precisa ser reconhecida, e não só por nós, juízes. Queremos que os jovens queiram ser juízes.
Cármen Lúcia, que completa 72 anos em 2026, considerou que teve “mais momentos de alegria como advogada do que 20 anos como juíza”, mas destacou a importância do Poder Judiciário para a sociedade. O limite de idade para aposentadoria compulsória é de 75 anos.
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“Precisamos do Judiciário. Mesmo que ele seja, como tudo na experiência humana, limitado pela imperfeição que é típica da humanidade. Precisa ser cada vez melhor, para que a Lei seja aplicada e o cidadão tenha mais confiança”, enfatizou.
O ministro é relator do Código de Ética dos membros do Tribunal. A iniciativa foi anunciada por Fachin em meio ao escândalo do Banco Master. Durante o evento, ela destacou que a desconfiança na Justiça também é um “movimento internacional”.
“Temos um problema de confiabilidade no Brasil, principalmente no Supremo, estou ciente disso. Mas precisamos saber por que e como. Há erros e erros que precisam ser melhorados e há um movimento internacional para que não tenhamos Judiciário, porque aí tem uma fragilidade da lei”, afirmou.
Mais cedo, Fachin reconheceu que o STF está “imerso” em crise e destacou mais uma vez a necessidade de autocontenção.
“Quando falamos em crises é fundamental reconhecer que estamos efetivamente imersos, em relação às ações do Judiciário, é uma crise que precisa ser enfrentada, e enfrentada com olhos para ver e ouvidos para ouvir, caso contrário corremos o risco de repetir, para novos problemas, soluções antigas que significam simplesmente relegar problemas sem resolvê-los”, disse o ministro.
Crise Mestre
O ministro Dias Toffoli deixou o relatório da investigação do Banco Master após a Polícia Federal encontrar menção a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição. A Corte divulgou nota em defesa do ministro e descartou a possibilidade de impedimento ou suspeição.
Além disso, o family office do ministro Alexandre de Moraes assinou contrato de R$ 129 milhões com a Master por três anos. Moraes e Toffoli negam qualquer irregularidade.
Em manifestação pública em março, o escritório Barci de Moraes negou qualquer irregularidade e afirmou que a atuação profissional ocorria dentro da lei, com consultoria jurídica prestada ao longo de quase dois anos.
Pedido de indiciamento de ministros do STF
No início desta semana, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, propôs o indiciamento de Toffoli, Moraes, do ministro Gilmar Mendes e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, por suposta responsabilidade criminal.
O relatório foi rejeitado pela comissão, mas Gilmar processou a PGR contra Vieira por suposto abuso de autoridade. Durante a sessão da Segunda Turma, o decano do Tribunal criticou o senador e Toffoli defendeu “cancelar eleitoralmente” quem “atacar” o STF.
Fachin criticou a inclusão “indevida” de ministros do Supremo na lista de indiciados. Em nota, afirmou que a CPI, embora seja uma “garantia fundamental da democracia”, deve atuar “dentro dos limites constitucionais” e cumprir os objetivos definidos no momento da sua criação.
“Desvios da finalidade temática dessas Comissões, porém, fragilizam os pilares democráticos e ameaçam os direitos fundamentais de qualquer cidadão”, disse o presidente do STF.
Vieira pediu a Gonet o arquivamento da representação, destacando que suas ações ocorreram dentro da lei. Além disso, o parlamentar cobrou um posicionamento do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), em defesa das prerrogativas do Legislativo.
Em resposta, Alcolumbre colocou o Departamento de Advocacia do Senado à disposição dos deputados da Câmara.
