
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli elevou o tom, na tarde desta terça-feira (14), contra os parlamentares após o relator da CPI do Crime Organizado, senador Alexandre Vieira (MDB-SE), pedir o indiciamento dele e de outros integrantes da Corte.
Durante a sessão do Segundo Painel, Toffoli afirmou que quem ataca as instituições “para conseguir voto” age contra a democracia e deve ser punido.
“Não podemos evitar a privação eleitoral de quem abusou, atacar as instituições para obter votos e estragar o voto do eleitor. É disso que se trata quando surge um relatório aventureiro como este”, afirmou.
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“Isso pode até levar à inelegibilidade. A Justiça Eleitoral não deixará de punir quem abusa do seu poder para obter votos no proselitismo eleitoral. É preciso acabar imediatamente com essa fúria que ataca determinadas instituições leva ao voto”, afirmou.
Gilmar diz que CPI tem “uma pitada de lavatismo”
O presidente da Segunda Turma, Gilmar Mendes, classificou a iniciativa de Vieira como uma “proposta tacanha” e um “erro histórico”. Mendes afirmou que houve “um indício de lavagem” na tentativa de “manipular juízes independentes”.
O reitor comparou os métodos da CPI aos da Operação Lava Jato, citando o uso de “vazamentos seletivos”, a construção de “narrativas midiáticas” e o “denuncismo” para constranger as instituições.
Gilmar afirmou que o Congresso “pode não estar no melhor dos momentos” e criticou mais uma vez o vazamento de informações pessoais de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, por parlamentares “infantis”.
Ele relembrou uma reunião em que disse ao ex-juiz e senador da Lava Jato, Sergio Moro (PL-PR), para “aproveitar a biblioteca do Senado”. “Essas pessoas não sabem de nada, podem assistir aos discursos. Já tive oportunidade de falar aqui para o Moro: ‘Aproveitem a biblioteca do Senado. É útil, ensina’”, disse.
“As instituições são maiores que seus componentes atuais, graças a Deus é assim, porque a história tem seus ciclos e talvez não estejamos vivenciando o melhor”, pontuou.
“Adoro ser desafiado”, diz Gilmar
O reitor indicou que vê o pedido de indiciamento da CPI como um desafio. “Cada pessoa reage de maneira diferente a esse tipo de contingência. Alguns enfrentam. Eu — como vocês sabem — adoro ser desafiado. Lá no meu Mato Grosso dizem: ‘Não me convide para dançar, posso aceitar’. Adoro ser desafiado, me divirto com isso”, disse Gilmar.
O ministro também mirou no ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot, seu inimigo. “Lavatismo lembra Moro, [Deltan] Dallagnol, Janot, de triste memória. Ou alguém não sabe que às 15h Janot já estava bêbado? Não gostaria de lembrar de coisas tristes, mas me convidaram para dançar”, enfatizou.
