Mendonça diz que “bom magistrado” não privilegia amigos



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça afirmou, na noite desta segunda-feira (6), que um “bom juiz” deve ser imparcial e ter um único interesse: “fazer o que é certo”. Foi homenageado pela Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) com o Colar de Honra ao Mérito Legislativo.

Durante sua fala, Mendonça disse que um bom juiz precisa ser imparcial, honesto, responsável e “buscar justiça”. Relator das investigações do Banco Master e descontos irregulares do INSS, o ministro se comprometeu a seguir esses princípios no STF.

“Imparcialidade é olhar as pessoas de forma igualitária, considerar igualmente os interesses envolvidos, não privilegiar os amigos, não perseguir os inimigos. Esse é um compromisso que assumo na Casa do Povo de São Paulo”, destacou.

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Para ele, os juízes não são “imunes a mal-entendidos”, mas precisam “estar imunes a ações que comprometam substancial, voluntária e conscientemente a credibilidade que a sociedade espera de um bom juiz”.

A declaração ocorre em meio à crise aberta pelo caso Master no Supremo. O ministro Dias Toffoli deixou o relatório da investigação após a Polícia Federal encontrar menção a ele no celular de Daniel Vorcaro, dono da instituição.

Além disso, o family office do ministro Alexandre de Moares assinou contrato no valor de R$ 129 milhões com a Master por três anos. Moraes e Toffoli negam qualquer irregularidade, mas a situação levou o presidente do STF, Edson Fachin, a anunciar um Código de Ética para membros do Tribunal.

Mendonça diz que espera Messias “em breve” no STF

O procurador-geral da União, Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para o STF, participou do evento, mas não se pronunciou. Mendonça destacou que foi uma honra ter a AGU presente durante a homenagem e mais uma vez declarou apoio à sua indicação.

“Nossas carreiras na AGU foram grandes viradas para nossas trajetórias correspondentes e espero que, em breve, você possa deixar a AGU pelo motivo de estar comigo no Supremo Tribunal Federal”, disse o ministro a Messias.

Mendonça é pastor assistente da Igreja Presbiteriana de Pinheiros, em São Paulo. O indicado de Lula é membro da Igreja Batista Cristã de Brasília.

A deputada federal Cezinha de Madureira (PSD-SP), integrante da bancada evangélica, disse que Messias “fez questão” de estar presente na homenagem a Mendonça.

Em outubro do ano passado, Cezinha participou de encontro com Lula e Messias no Palácio do Planalto. A reunião ocorreu pouco mais de um mês antes da indicação da AGU ao Supremo.

Cerimônia destacou origens evangélicas de Mendonça

O governador do estado, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que o ministro representa “esperança no deserto” e atua com “imparcialidade, discrição e firmeza”.

O deputado estadual Oseias de Madureira (PL), autor da homenagem e pastor evangélico, destacou que a atuação de Mendonça na Corte “representa algo mais profundo”, pois ele “é a voz de uma parcela da sociedade que valoriza a família, a liberdade religiosa e os princípios que sustentam a nossa civilização”.

O presidente da Alesp, André do Prado (PL), disse que a trajetória do ministro “honra o Brasil” e mostra que o serviço público pode ser cumprido com “equilíbrio”. O prefeito da capital paulista, Ricardo Nunes (MDB), disse se considerar um “amigo” de Mendonça, a quem classificou como “um grande exemplo”.



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