O ministro da Casa Civil, Rui Costa, afirmou que o elevado endividamento das famílias brasileiras se tornou a principal preocupação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para as eleições de 2026, atribuindo o problema às altas taxas de juros, ao aumento das compras online e ao crescimento das apostas digitais nas chamadas “apostas”. Mesmo com o maior salário da história, segundo ele, a população sente perda de poder aquisitivo, o que impacta diretamente no ânimo do eleitorado.
Segundo Costa, o atual cenário económico é resultado de um “combo” negativo que pressiona o orçamento doméstico e compromete o rendimento familiar. Ele também exigiu um reforço da regulamentação com medidas mais restritivas às apostas.
“Temos relatos de empresas privadas com funcionários excepcionais perdendo produtividade e comprometendo a renda familiar devido ao vício do jogo”, disse ele em entrevista ao GloboNews na terça-feira (31).
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Rui Costa afirmou que o alto endividamento da população será um dos itens que mais pesará na campanha eleitoral e que o principal concorrente de Lula à reeleição, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), terá que apresentar resultados concretos aos eleitores.
“O candidato tem que se apresentar, tem que mostrar qual é o seu currículo, o que ele fez pelo Brasil, o que ele fez pela população? […] Porque o exemplo da gestão do pai é o completo desastre na economia, na inflação, nos juros e no desemprego”, pontuou.
Por outro lado, o ministro minimizou a entrada do governador goiano Ronaldo Caiado (PSD) na disputa como uma “terceira via” de polarização, afirmando que o caminho da campanha lulista será “mostrar o que era o Brasil na era Bolsonaro e o que é agora”.
Cartão rotativo aumenta dívida
A discussão sobre a dívida ganhou força dentro do governo, com a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann (PT), também apontando os juros como principal problema. Segundo ela, Lula solicitou estudos ao Banco Central e ao Ministério da Fazenda para avaliar limites ou reduções nas taxas de crédito rotativo do cartão, que atingiram 435,9% ao ano em fevereiro, com cerca de 40 milhões de usuários afetados.
“O presidente pediu para estudar. Ele disse: ‘Como pode um juro que é de uma Selic por mês estar no crédito rotativo? Não tem justificativa para isso'”, relatou Gleisi na última segunda-feira (30) aos jornalistas.
O ministro defendeu a criação de mecanismos de controlo semelhantes aos já aplicados aos cheques especiais, medida vista como estratégica dado o impacto direto do endividamento da população na popularidade do governo.
Dados recentes do Banco Central mostram que o comprometimento da renda das famílias com o endividamento atingiu 29,3%, o maior nível da série histórica iniciada em 2011. O aumento foi impulsionado principalmente pela utilização do crédito emergencial, especialmente o cartão rotativo, considerado o mais caro do mercado e recomendado apenas em situações extremas.
