
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin suspendeu nesta sexta-feira (27) a realização de eleições indiretas para governador do Rio de Janeiro. Zanin manteve o presidente do Tribunal de Justiça do estado no cargo até que o Tribunal julgue o caso.
O juiz Ricardo Couto assumiu interinamente o governo do Rio após o governador Cláudio Castro (PL) renunciar ao cargo na segunda-feira (23). No dia seguinte, o mandato de Castro foi cassado e ele foi declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O TSE determinou que eleições indiretas para a definição de um mandato tampão no estado. Nesse tipo de eleição, os deputados estaduais escolhem o novo governador em votação secreta.
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O PSD, partido do ex-prefeito da capital fluminense e pré-candidato ao Palácio Guanabara, Eduardo Paes, acionou o STF para bloquear a eleição indireta.
A decisão de Zanin suspende o julgamento no plenário virtual das ações que questionaram a eleição no estado. O ministro defendeu que o caso seja discutido no plenária física.
Anteriormente, o STF formou maioria para manter a eleição indireta e secreta no estado. Esta posição foi defendida pelos ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia, Nunes Marques, André Mendonça, Dias Toffoli e Luiz Edson Fachin.
Zanin e os ministros Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino discordaram e votaram pela realização de eleição direta.
O Tribunal também analisa ação que questiona prazo para desclassificação de candidatos. A regra determina que potenciais candidatos ao governo do Rio deixem os cargos que ocupam para participar da eleição em até 24 horas.
Impasse sucessório no Rio
O governador Cláudio Castro não tem deputado desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha (MDB) renunciou ao cargo para assumir o cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ).
Sem o deputado, quem deveria assumir o governo seria o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). No entanto, o deputado estadual Rodrigo Bacellar (União) foi afastado da presidência da Alerj em meio à investigação sobre o vazamento de informações sigilosas de operações policiais.
Ele foi julgado pelo TSE na mesma ação de Castro. A Justiça Eleitoral cassou o mandato do deputado estadual, tornou-o inelegível e determinou a recontagem dos votos da eleição de 2022 para definir quem ocupará seu lugar.
Além disso, Bacellar foi preso preventivamente nesta sexta-feira (27) por ordem do ministro Alexandre de Moraes. Nesta quinta-feira (26), o deputado estadual Douglas Ruas (PL), anunciado como pré-candidato do PL ao governo do Rio nas eleições deste ano, foi eleito presidente da Alerj.
Seguindo a linha de sucessão, Ruas deverá assumir o comando do mandato tampão. Porém, a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ), desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou o voto da Alerj.
O juiz afirmou que o presidente da Alerj só poderá ser eleito após a totalização dos votos para definir o substituto de Bacellar. O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) marcou cerimônia para a próxima terça-feira (31).
