Moraes negou recurso de desafeto de Vorcaro



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes negou recurso apresentado pelo fundador da Esh Capital, Vladimir Timerman, descontente com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em maio do ano passado.

A informação foi revelada pelo jornal Folha de S.Paulo nesta quarta-feira (18). A decisão, endossada por unanimidade pela Primeira Turma, está incluída no sistema do Tribunal.

Na época em que o caso era analisado no Supremo, o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, processava Timerman em nome de Vorcaro no Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).

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O family office do magistrado assinou contrato com a Master no valor total de R$ 129 milhões. De acordo com a Lei Orgânica do Poder Judiciário Nacional (Loman), a atuação de Viviane e do ministro nos casos envolvendo Vorcaro e Timerman não constitui conflito direto.

O dono da Esh foi um dos primeiros a apontar possíveis fraudes na Master. Na verdade, ele apresentou um relatório ao Ministério Público Federal (MPF) para denunciar Vorcaro e o empresário Nelson Tanure por supostas “operações fraudulentas” entre a construtora Gafisa e o fundo Brazil Realty.

Em 2023, Tanure entrou com uma ação judicial contra Timerman, alegando perseguição nas redes sociais. O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou o fundador da Esh a um ano, dez meses e 15 dias de prisão, em regime aberto, e ao pagamento de multa.

O juiz responsável pela sentença substituiu a pena de prisão por prestação de serviços. O gestor da Esh recorreu, na tentativa de paralisar a ação, mas o TJSP indeferiu o pedido, assim como o Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Por fim, a Sexta Turma do STJ não admitiu recurso processual e o caso chegou ao STF em abril de 2025. Timerman alegou constrangimento ilegal e falta de justa causa em decisões anteriores.

Como relator do caso, Moraes não viu irregularidades no processo e determinou, de forma monocrática, o regular andamento da ação.

“Não há [o que] dizer, no caso em apreço, que a decisão que autoriza a ação penal implica uma restrição ilegal ao direito de circulação do paciente [Timerman]”, disse o ministro na decisão assinada em 11 de maio de 2025.

Moraes destacou que o investidor teria direito à ampla defesa durante todo o processo. Timerman recorreu da decisão. Contudo, a Primeira Turma manteve por unanimidade o entendimento do relator.

O recurso foi analisado no plenário virtual entre os dias 30 de maio e 6 de junho do ano passado. De acordo com Folha de S.Pauloo recurso do proprietário da Esh foi liberado e agora pode ser analisado novamente pela 10ª Câmara de Direito Penal.

STF diz que não há irregularidade na atuação de Moraes

Numa nota enviada a Folhao STF destacou que a decisão da Primeira Turma foi unânime e condizente com o parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre o caso.

“Tanto o caso, as partes quanto os advogados do recurso não possuem qualquer vínculo com o escritório Barci de Moraes Sociedade de Advogados e, portanto, não há hipóteses jurídicas de impedimento ou suspeição”, disse o Tribunal.

A esposa de Moraes perdeu o caso de Vorcaro contra Timerman

Em outubro de 2024, o gabinete de Viviane Barci de Moraes apresentou queixa-crime em nome de Vorcaro contra Timerman pelos supostos crimes de calúnia e difamação. O caso foi revelado pelo Malu Gasparno jornal O Globo.

A ação foi ajuizada logo após o fundador da Esh Capital denunciar o banqueiro ao MPF. Em setembro de 2025, a ação foi julgada improcedente em primeira instância por falta de justa causa.

Viviane apelou, salientando que a queixa de Timerman contra Vorcaro e o Mestre ia além do exercício regular de um direito. O recurso foi rejeitado novamente. O pedido posteriormente também foi negado pela Câmara de Direito Penal.



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