Toffoli se declara suspeito para julgar prisão de Vorcaro



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli se declarou suspeito de participar do julgamento sobre a manutenção da prisão do banqueiro Daniel Vorcaro, determinado pelo relator do caso no STF, ministro André Mendonça. A Segunda Turma do STF deverá analisar o tema na sexta-feira (13).

Toffoli anunciou sua saída nesta quarta-feira (11), horas depois de deixar o relator de um processo que pede a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar o Banco Master. Na mesma tarde, havia sido escolhido relator de um mandado de segurança contra suposta omissão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), na instalação da CPI. Sem entrar em detalhes sobre sua suspeição, o ministro citou apenas um trecho do Código de Processo Civil que afirma que “o juiz poderá declarar-se suspeito por motivos pessoais, sem necessidade de fundamentação”.

A suspeita mais recente foi comunicada no processo que julga a prisão de Vorcaro, mas não implica automaticamente o afastamento do ministro de todos os processos do caso Master que tramita no STF. O Gazeta do Povo questionou ao STF se a suspeição de Toffoli abrangeria todos os procedimentos ligados à investigação do caso pendente na Corte. O ministro anunciou que a partir de agora ficará afastado de todos os processos relacionados ao banco.

O procedimento pelo qual agora se declarou suspeito refere-se à terceira fase da Operação Compliance Zero, deflagrada em 4 de março, na qual foi ordenada a prisão preventiva de Daniel Vorcaro, de seu cunhado e operador Fabiano Zettel, e de dois supostos integrantes da milícia privada do banqueiro: Felipe Mourão e Marilson Roseno.

As medidas foram avaliadas em processo separado da investigação principal do caso, que abrange a investigação mais ampla do Master, incluindo fatos relacionados a fraudes no mercado financeiro, corrupção de agentes públicos para facilitar o esquema, lavagem de dinheiro e outros crimes. Neste procedimento, Toffoli ainda não declarou suspeição.

A decisão de Toffoli é contraditória

A decisão desta quarta contraria a postura adotada por Toffoli em fevereiro, quando abandonou a reportagem do caso Master sem declarar suspeita —mesmo pressionado por causa de negócios com fundo ligado à Zettel e ao resort Tayayá. Agora, o ministro alegou “fórum íntimo” para se afastar de dois processos ligados ao banco, mas não explicou por que o mesmo argumento não foi utilizado há um mês.

Ao limitar sua suspeição à terceira fase da operação, já conduzida por André Mendonça, Toffoli se distancia das investigações em andamento sem comprometer o material obtido em operações anteriores, quando ainda era relator do caso.

Mendonça assumiu a reportagem do caso Master após a Polícia Federal (PF) apresentar ao STF relatório que mostra a relação de Toffoli com Vorcaro. Em reunião fechada, os ministros do Tribunal chegaram a um acordo para retirá-lo da investigação sem declarar a sua suspeita, ao mesmo tempo que manifestaram apoio público a ele.

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A ação que tenta impor, via STF, a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) ao Banco Master será relatada pelo ministro Cristiano Zanin. O magistrado foi escolhido por sorteio após Toffoli se declarar suspeito para denunciar o mandado de segurança movido pelo deputado Rodrigo Rollemberg (PSB-DF).

A ação menciona que não há previsão no regimento interno da Câmara sobre uma ordem cronológica a ser seguida na apreciação dos pedidos de instalação de CPIs. O presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), usou essa justificativa para bloquear a comissão.

“Até o momento, mais de 30 dias após o protocolo do pedido da CPI e a apresentação do Ponto de Ordem, não houve andamento ou adoção de qualquer medida pela Presidência da Câmara dos Deputados que preveja a instalação da CPI”, argumentou Rollemberg.

O celular de Hugo Motta está entre os contatos encontrados no celular de Daniel Vorcaro, assim como no do presidente do Senado. Rollemberg fala da “relevância nacional” de uma investigação no Parlamento e cita os pedidos de impeachment protocolados na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) contra o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB).

Vorcaro é preso em Brasília

O dono do Master foi preso pela primeira vez no aeroporto de Guarulhos, enquanto embarcava em um voo para Dubai. No mesmo dia, o Banco Central (BC) decretou a liquidação extrajudicial da instituição financeira. Mesmo com as condições em que foi realizada a prisão, Toffoli decidiu libertar Vorcaro, com monitoramento por tornozeleira eletrônica.

Após assumir o caso, André Mendonça ordenou a prisão do empresário, após descobrir uma milícia privada que trabalhava para monitorar e silenciar opositores. Vorcaro está atualmente preso na Penitenciária Federal de Brasília.

Ao longo da operação de extração de dados do celular do empresário, outros nomes começaram a aparecer, inclusive o do ministro Alexandre de Moraes. Uma captura de tela no celular do banqueiro questionava se alguém que ligou havia conseguido “bloquear” algo. De acordo com o jornal O Globoo texto foi enviado a Moraes e o mandado de prisão seria bloqueado.

Moraes nega ter recebido mensagens do banqueiro. O celular também registrou os contatos da advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, e do advogado Mágino Alves Barbosa Filho, sócio do escritório Barci de Moraes. Antes disso, já havia informações sobre um contrato de R$ 129 milhões entre o escritório e o Banco Master. Em nota, a empresa de Viviane alegou que não atuou na defesa da instituição nos tribunais superiores, apenas prestando assessoria jurídica.



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