Fundador da Reag confirma operações com Master, mas nega com PCC


O fundador da gestora de investimentos Reag, João Carlos Mansur, confirmou à CPI do Crime Organizado nesta quarta-feira (11) que prestou serviços para o Banco Master, mas negou irregularidades em transações com a instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro liquidada pelo Banco Central.

Reag é investigado pela Polícia Federal por envolvimento em supostas fraudes ao sistema bancário cometidas pela Master e, também, com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). No ano passado, a gestora foi alvo de mandados durante a Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema criminoso de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro.

“O Banco Master era um dos clientes, como outros bancos, como outras instituições financeiras e como outras empresas do mercado. Um cliente como você, como eu, como o nosso advogado, então, normal”, afirmou durante o depoimento.

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Mansur também negou que Reag tivesse qualquer envolvimento com negócios do PCC. A investigação da Polícia Federal descobriu que a facção investiu R$ 30 bilhões em fundos de investimento, incluindo a gestora – que também foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano.

“Trabalhamos de forma muito gerencial, muito consciente. Infelizmente aconteceu um rolo compressor. Não temos ligação, como nosso advogado, nosso chefe acabou de colocar 15 mil páginas no procedimento Carbono Oculto, não há menção de associação com o PCC”, completou.

O empresário afirmou que Reag entrou no centro das investigações e foi, de certa forma, penalizado pelo mercado financeiro por “ser grande e independente”.

“Escolhemos o mais alto nível de governança possível justamente por isso, porque tem uma administração independente, com nomes líderes no mercado e operações muito claras e muito transparentes. Acho que acabamos sendo penalizados por sermos grandes e independentes. Nosso mercado penaliza os independentes”, disse.

A Reag foi liquidada pelo Banco Central após investigação da Polícia Federal indicar que ela fazia parte da estrutura financeira que o Banco Master montou para realizar as supostas transações fraudulentas. A investigação mostra que a gestora administrou fundos e operações que serviram de base para as operações suspeitas.

Mansur foi intimado a prestar depoimento na CPI por sua suposta ligação com o PCC, um dos alvos diretos da atuação da comissão parlamentar.

Quebra de confidencialidade

A sessão desta quarta-feira (11) da CPI também aprovou a quebra do sigilo fiscal, telefônico e telemático do empresário e pastor Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e preso na semana passada por envolvimento na suposta fraude cometida por Master, e de Luiz Philippi Machado de Moraes Mourão, conhecido como “Sicário”, que seria o operador de um grupo que visa ameaçar e coagir os inimigos do banqueiro.

Sicário, que se suicidou na prisão na semana passada, também teve aprovação de um pedido de envio de Relatórios de Inteligência Financeira (RIFs) do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) e outro de solicitação de informações sobre sua morte ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Outros pedidos aprovados em bloco pela CPI incluem a convocação dos funcionários Paulo Sérgio Neves de Souza e Bellini Santana, do Banco Central, que teriam sido aliciados por Vorcaro a fornecer informações privilegiadas sobre a liquidação do Banco Master; o policial federal aposentado Marilson Roseno, que faria parte do grupo operado pelo Sicário; entre outros.



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