Manifestações do “Acorda, Brasil” reúnem multidões em 3 capitais


Pelo menos três capitais registraram a concentração de multidões com o ato “Acorda, Brasil” convocado pela direita para este domingo (1). Belo Horizonte, São Paulo e Salvador reúnem apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro desde a manhã em seus principais cartões-postais.

Na Avenida Paulista, milhares de pessoas se reuniram no entorno do MASP desde o final da manhã. O carro de som “Avassalador” reúne autoridades que incluem o presidente do PL, Valdemar da Costa Neto, os deputados federais Ricardo Salles e Philippe de Orleans e Bragança e vários outros nomes da ala direita.

Tradicional desde as manifestações que pediram o impeachment de Dilma Rousseff, o boneco Pixuleco de Lula vestido de preso voltou. Uma versão com Bolsonaro censurado e a inscrição “Fale por mim!” foi levado na boca pelos apoiadores do ex-presidente, para simbolizar a censura.

A multidão vestiu as cores verde e amarela da bandeira e pediu liberdade para Bolsonaro.

Nikolas Ferreira discursando em Belo Horizonte/MG em manifestação na manhã deste domingo (1º).Nikolas Ferreira discursando em Belo Horizonte/MG em manifestação na manhã deste domingo (1º). (Foto: Reprodução/Instagram/Nikolas Ferreira)

Em Belo Horizonte, Nikolas Ferreira reuniu uma multidão na Praça da Liberdade, no centro da cidade, e conheceu o governador mineiro Romeu Zema (Novo), cotado para se juntar à chapa de direita com Flávio. Em tom descontraído, escreveu com caneta vermelha o lema “Acorda, Brasil” em uma camiseta branca do governador.

Várias cidades do Brasil realizam manifestações neste domingo (1º), na imagem, evento em Salvador/BA.Várias cidades do Brasil realizam manifestações neste domingo (1º), na imagem, evento em Salvador/BA. (Foto: Giuliano Argolô/Gazeta do Povo)

Na capital baiana, a concentração de patriotas aconteceu em frente ao Farol da Barra, ponto de referência do circuito Barra-Ondina durante o carnaval. Os baianos também foram entretidos por carros de som e seguiram em procissão pela Avenida Oceânica.

Causas defendidas

As bandeiras dos atos vão desde questões como o pedido de anistia aos condenados em 8 de janeiro e a derrubada do veto presidencial ao PL Dosimetria, além de críticas ao governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Além disso, como em todas as manifestações de direita, há também uma defesa do combate à corrupção e do aumento de impostos.

A defesa de um tom mais duro contra o STF não é consensual no campo da direita. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, tem adotado postura mais moderada, buscando ampliar o diálogo com setores do centro. Nos bastidores, aliados avaliam que uma agenda excessivamente focada em ataques ao Tribunal poderia produzir efeitos políticos indesejados neste momento pré-eleitoral.

Mobilização marca pré-campanha de Flávio Bolsonaro

A mobilização do 1º de Março ocorre num ambiente já marcado por movimentos pré-eleitorais e pela reorganização de lideranças no campo conservador. A expectativa dos organizadores é que o evento seja também uma vitrine da pré-campanha de Flávio Bolsonaro pela direita.

Escolhido por Jair Bolsonaro para ser o candidato do PL ao Palácio do Planalto, o senador intensificou nas últimas semanas seus esforços para consolidar suas plataformas em todo o país. Para o cientista político Gustavo Macedo, professor do Insper, o ato deveria funcionar como um teste narrativo.

“Já vivemos um clima de campanha permanente, e essas mobilizações ajudam a testar quais agendas ficam com o eleitorado, seja Bolsonaro, anistia ou críticas ao STF”, avaliou.



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