
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, manteve reunião com altas autoridades na manhã desta terça-feira (24), para discutir as ações da Corte que tratam de benefícios a servidores públicos que estão fora do cálculo do teto constitucional de R$ 46.366,19, os chamados “enforcamentos”.
A reunião envolveu o vice-presidente do STF, ministro Alexandre de Moraes, e os relatores das ações que tratam do tema, Flávio Dino e Gilmar Mendes. Participaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), do Tribunal de Contas da União (TCU), o ministro Vital do Rêgo Filho e o vice-procurador-geral da República Hindenburg Chateaubriand.
De acordo com a nota divulgada pelo Supremo logo após a reunião, as autoridades negociaram uma regra de transição, com proposta a ser apresentada nos próximos dias, contrastando com a decisão de Dino que barrou tanto remunerações acima do teto quanto qualquer lei que crie outros benefícios para a categoria.
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Gilmar Mendes concordou com Dino ao expressar “perplexidade” com benefícios
Gilmar Mendes entrou no jogo depois de Dino. Em sua decisão, manifestou-se indignado com os “enforcamentos”: “Dia após dia, são criados inúmeros valores disfarçados de indenizações com o único objetivo de dissimular o manifesto descumprimento da Constituição Federal, notadamente do regime constitucional de subvenção”.
Na segunda-feira (23), Dino, Fachin e Moraes se reuniram com o ministro substituto da Fazenda, Dario Durigan, para discutir o mesmo tema. A ideia do Tribunal, segundo a nota, é promover um “esforço de cooperação mútua, buscando o equilíbrio entre a autonomia institucional e o rigor fiscal exigido pela sociedade”.
A aprovação de benefícios acima do teto para funcionários do Congresso foi o estopim para que Dino, em ação que discutia um caso específico no litoral paulista, decidisse dar uma ordem mais ampla, abrangendo todos os poderes.
