Toffoli deixa a relatoria do caso Master



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli deixou nesta quinta-feira (12) o relatório da investigação envolvendo o Banco Master. Os demais integrantes da Corte afastaram a possibilidade de suspeição ou impedimento de Toffoli e, em nota conjunta, defenderam o colega e os atos praticados por ele no caso Master.

“Neste ato manifestam apoio pessoal ao Exmo Min. Dias Toffoli, respeitada a dignidade de Sua Excelência, bem como a ausência de suspeição ou impedimento. Ressalte-se que Sua Excelência atendeu a todas as solicitações feitas pela PF e pela PGR”, diz o comunicado.

O processo foi redistribuído ao ministro André Mendonça. O STF garantiu que as provas produzidas durante o relatório de Toffoli não serão anuladas ao reconhecer a “plena validade” dos atos praticados pelo ministro no inquérito principal e em “todos os processos” “a ele vinculados por dependência”.

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Em meio à pressão para que Toffoli abandonasse o caso, o presidente da Corte, Edson Fachin, convocou os ministros para uma reunião de emergência. Esta semana, a Polícia Federal apresentou a Fachin um relatório sobre os dados do celular do empresário Daniel Vorcaro, dono da Master, com menção ao relator.

A primeira parte da reunião aconteceu no gabinete de Fachin, como presidente do STF, e durou 2 horas e 15 minutos. Após a segunda reunião, que durou 30 minutos, Toffoli deixou o STF em paz. Quando questionado pela imprensa sobre o clima do encontro, ele simplesmente respondeu: “excelente”.

Segundo a nota oficial, a iniciativa de deixar o caso “para o bom andamento dos processos” partiu de Toffoli. A PF teria encontrado conversas entre Toffoli e Vorcaro e citações dele sobre pagamentos e até convite para festa. O magistrado negou qualquer relação com o banqueiro e chamou as informações de “inclusões”.

“Notam, ainda, que a pedido do Ministro Dias Toffoli, tendo em vista sua capacidade de submeter questionamentos à Presidência do Tribunal para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerando os elevados interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acata a comunicação de Sua Excelência a respeito do envio das respectivas ações sob sua Relatoria para que a Presidência promova a redistribuição gratuita”, diz o comunicado.

Pela manhã, Toffoli admitiu ser sócio, junto com os irmãos, da Maridt, empresa que, segundo ele, tinha participação no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (PR), mas cujas ações teriam sido vendidas, em 2021, para o Fundo Arleen, e em 2025, para a empresa PHD Holding. Arllen tinha investimentos de Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro e também investigado por fraude no mercado financeiro.

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Veja a íntegra da nota dos ministros do STF em defesa de Toffoli

“Nota do dirigente dos 10 ministros do STF

Os dez Ministros do Supremo Tribunal Federal, reunidos em 12 de fevereiro de 2026, considerando o que consta do processo número 244 AS, declaram que não cabe levantar suspeita, em razão do disposto no art. 107 do Código de Processo Penal e art. 280 do Regimento Interno do STF.

Reconhecem, portanto, a plena validade dos atos praticados pelo Ministro Dias Toffoli no relatório da Reclamação nº. 88.121 e todos os processos a ele vinculados por dependência.

Expressam, neste ato, apoio pessoal ao Exmo. Min. Dias Toffoli, respeitada a dignidade de Sua Excelência, bem como a ausência de suspeita ou impedimento. De referir que Sua Excelência respondeu a todos os pedidos formulados pela PF e pela PGR.

Registram ainda que a pedido do Ministro Dias Toffoli, tendo em vista sua capacidade de submeter questionamentos à Presidência do Tribunal para o bom andamento dos processos (RISTF, art. 21, III) e considerando os elevados interesses institucionais, a Presidência do Supremo Tribunal Federal, ouvidos todos os Ministros, acolhe com satisfação a comunicação de Sua Excelência a respeito do envio das respectivas ações sob sua Relatoria para que a Presidência promova a redistribuição gratuita.

A Presidência adotará as medidas processuais necessárias para extinguir a AS e encaminhar o caso ao novo Relator. Sinal:

  • Luiz Edson Fachin, presidente
  • Alexandre de Moraes, vice-presidente
  • Gilmar Mendes
  • Carmem Lúcia
  • Dias Toffoli
  • Luiz Fux
  • André Mendonça
  • Nunes Marques
  • Cristiano Zanin
  • Flávio Dino”



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