
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) colocou a segurança pública no centro de seu discurso ao detalhar neste domingo (8) propostas que incluem o endurecimento da legislação penal, o fim da soltura temporária de presos e a retomada do controle estatal sobre presídios e áreas dominadas por facções criminosas. Em entrevista ao canal Estúdio 5º ElementoPré-candidato a Presidente, o parlamentar afirmou que o país precisa adotar uma política mais rígida contra o crime organizado para recuperar a autoridade do Estado.
“Precisamos de leis penais mais duras, acabar com as saídas temporárias e estabelecer punições específicas para quem faz parte de organizações criminosas”, afirmou. Flávio também citou as políticas adotadas em El Salvador como referência para o combate às facções e defendeu que as autoridades públicas retomem o controle dos territórios hoje dominados pelo tráfico de drogas e pelas milícias.
Além da agenda de segurança, Flávio abordou sua visão econômica, defendendo que o Brasil reduza as dependências externas e fortaleça a infraestrutura para impulsionar o crescimento. Segundo ele, a experiência da pandemia mostrou a necessidade de maior autonomia estratégica, principalmente no relacionamento com grandes fornecedores globais.
“O Brasil não pode ficar refém de outros países. A pandemia mostrou isso com muita clareza, principalmente na relação com a China. Precisamos ter mais autonomia e capacidade de produzir aqui”, declarou.
O senador também defendeu a atração de capital privado para ferrovias e portos por meio de modelos de autorização regulatória e destacou o potencial do país para exportar energia limpa — como eólica, solar e hidrelétrica — para a Europa, em meio à crise energética agravada pela guerra na Ucrânia.
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Anistia, meio ambiente, reindustrialização e empresas estatais
Durante a entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que a polarização política dificulta a governança e defendeu a adoção de medidas de anistia como forma de promover a “pacificação nacional”. Segundo ele, o país precisaria acabar com o clima de confronto permanente para avançar nas reformas estruturais e reorganizar o ambiente institucional.
Na área ambiental, Flávio sustentou que a exploração dos recursos naturais, incluindo o petróleo na Margem Equatorial, pode ocorrer de forma sustentável, e criticou o que chamou de obstáculos “ideológicos” nos órgãos licenciadores. Para ele, é preciso aumentar a segurança jurídica dos investidores e evitar paralisações frequentes de grandes projetos de infraestrutura por decisões judiciais.
“Não é possível tratar as riquezas naturais como tabu. É possível explorar com responsabilidade, inclusive na Margem Equatorial, mas hoje o Brasil está travado por uma visão ideológica dentro do licenciamento ambiental”, afirmou.
O senador também reclamou de decisões judiciais que paralisam obras de infraestrutura e disse que o país precisa oferecer previsibilidade a empresários e investidores. “Não é razoável você iniciar um projeto bilionário e, no meio, uma decisão judicial manda parar tudo. Isso gera insegurança jurídica e afugenta quem quer investir no Brasil”, declarou.
Segundo Flávio Bolsonaro, um novo marco legal poderia ajudar a acelerar projetos estratégicos. “Precisamos de regras claras e estáveis para quem quer construir ferrovias, portos, explorar energia e gerar empregos. Sem isso o país caminha a passos lentos”, concluiu.
O senador afirmou que energia barata é condição essencial para a reindustrialização e para atrair empresas de tecnologia e inteligência artificial, setores intensivos no consumo de energia elétrica. Defendeu também a redução de impostos e a digitalização do Estado para desburocratizar a abertura de empresas.
Sobre as empresas estatais, Flávio Bolsonaro disse que as empresas estratégicas devem manter uma função social e económica e rejeitou privatizações completas em áreas consideradas sensíveis à soberania nacional.
Composição do governo e relacionamento com o Legislativo
Na entrevista, Flávio Bolsonaro afirmou que, caso chegue ao Palácio do Planalto, pretende montar uma equipe formada por corpo técnico e alinhada às diretrizes do governo, para evitar o que classificou como resistência interna no setor público. Segundo ele, gestões anteriores teriam sido prejudicadas por disputas burocráticas e por servidores que não compartilhavam do projeto político eleito nas urnas.
“O presidente precisa ter gente comprometida com o que foi votado pela população. Não tem como ter sabotagem interna ou gente puxando para o lado contrário”, afirmou.
Em relação ao Congresso, Flávio afirmou que a prioridade seria construir uma base ampla no início do mandato, com maioria sólida tanto na Câmara quanto no Senado, para facilitar mudanças estruturais e possíveis alterações constitucionais.
“Se não tiver maioria no Parlamento, não governará. É preciso eleger uma bancada forte em 2026 para permitir as reformas que o país precisa”, declarou o pré-candidato, acrescentando que considera essencial alinhar os poderes Executivo e Legislativo para implementar rapidamente a sua agenda económica e de segurança pública.
