
O ex-presidente do MDB de Praia Grande (SP) Edmundo Berçot Júnior pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (30), que suspeite do ministro Alexandre de Moraes em ação proposta pela Associação dos Notários e Registradores do Brasil (Anoreg). Acontece que um dos irmãos do ministro, Leonardo de Moraes, é cartório de Santos (SP). Edmond ainda afirma que o local é conhecido, no município, como “Cartório Moraes”.
“O julgamento da ADPF 209-SP sofre de irremediável vício de existência e validade na medida em que utilizou manobra processual para atrair matéria estranha para o âmbito do controle concentrado […]com o objetivo de beneficiar delegados paulistas irregulares atingidos pelas Resoluções-CNJ nºs 80 e 81, interessados terceiros que deveriam, de ofício, ter sido “banidos” da classe notarial, especialmente e principalmente o tabelião Leonardo de Moraes que é: (i) delegado do 1º Cartório Notarial de Santos-SP (conhecido como Cartório Notarial Moraes); (ii) irmão de sangue do ministro Alexandre de Moraes, que participou ativamente da decisão atacada, inclusive solicitando homologação e votando favoravelmente […] visando estritamente beneficiar o próprio irmão (Leonardo), sendo este o único voto dissidente”, diz a petição.
Moraes pediu revisão e foi o único a discordar na ação relativa aos cartórios
A arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF) nº 209 foi proposta em 2010 e encerrada em 2023. O pedido da Anoreg era para que o Supremo reconhecesse a validade de uma lei paulista que estabelecia regras para ingresso e afastamento em cartórios estaduais. O resultado, porém, foi o oposto do esperado: sob o relatório do ministro Gilmar Mendes, o plenário entendeu que os estados não têm competência para legislar sobre concursos públicos para ingresso na carreira de notário.
Moraes chegou a pedir vista e foi então o único a discordar parcialmente do relator. Ele cita informações do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP) de que, nos concursos para cartórios, sempre foram observadas as normas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Com isso, votou pela perda do objeto, termo legal para afirmar que não faz mais sentido julgar uma ação. No julgamento do tema da ação, Moraes acompanhou Gilmar Mendes.
O documento também analisa a Corte como um todo: “Esse interesse incansável decorre do fato de os ministros, em suas manifestações e votos proferidos em diversos assuntos e ocasiões, unidos em uma organização criminosa verdadeiramente magistral, agirem para além de suas funções constitucionais, utilizando-se de seus cargos para interferir ativamente na política e na vida pública do país, defender e defender leis, normas ou atos inconstitucionais que visem proteger interesses pessoais ou de terceiros (beneficiários de fraudes), com os quais tenham notória proximidade ou alinhamento ideológico/empresarial”.
O Gazeta do Povo contatou Edmond Berçot Júnior, o ministro Alexandre de Moraes e o 1º Tabelião de Santos. O espaço permanece aberto para manifestações.
