
A Associação Nacional dos Delegados da Polícia Federal (ADPF) enviou nesta sexta-feira (30) uma carta aberta ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) solicitando medidas urgentes para garantir a sustentabilidade da instituição.
O documento, assinado pelo presidente da entidade, Edvandir Paiva, reconhece o apoio recente do Planalto, mas alerta que o sucesso operacional da corporação está em risco devido a desafios estruturais e orçamentários.
A associação destaca que a estratégia de asfixia financeira do crime gerou resultados históricos, com a recuperação de aproximadamente R$ 16,4 bilhões entre os anos de 2024 e 2025.
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Contudo, a ADPF aponta um cenário de fragilidade interna. A entidade afirma que “a Polícia Federal tem recebido continuamente novas atribuições jurídicas e operacionais, sem a correspondente recomposição orçamentária”. Segundo Paiva, esta sobrecarga, aliada à falta de garantias institucionais, tem provocado uma saída de talentos sem precedentes.
Nos últimos três anos, enquanto 104 novos delegados tomaram posse, 50 autoridades deixaram a instituição em busca de outras carreiras. “Uma carreira historicamente buscada como projeto profissional de longo prazo pelos profissionais do direito corre, portanto, o risco de se tornar uma mera posição de transição”, diz a nota.
A queda no interesse pela corporação também se reflete nos números de concursos públicos, que viram o total de inscritos despencar de 321 mil em 2021 para 218 mil em 2025.
Para os delegados, não é aceitável que a autoridade responsável por investigações sensíveis contra ameaças à República “se encontre em posição de desvantagem institucional em relação a carreiras e órgãos similares, inclusive dentro do próprio Poder Executivo”.
Como solução, a ADPF pede a Lula que facilite a criação do Fundo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (FUNCOC). A proposta foi apresentada pelo Ministério da Justiça em novembro do ano passado.
O fundo prevê que os recursos confiscados do crime sejam reinvestidos na própria polícia, incluindo a modernização tecnológica e a criação do Bônus de Eficiência Institucional (GEI), que vincularia o desenvolvimento profissional ao aumento da recuperação de bens ilícitos.
O pedido final da associação é que o governo promova o “envio imediato do Projeto de Lei que institui a FUNCOC ao Congresso Nacional e mobilize os esforços do Governo Federal para sua rápida apreciação e aprovação”, especialmente dadas as restrições impostas pelo calendário eleitoral. Para a categoria, a consolidação desse fundo seria um legado permanente para a segurança pública brasileira.
“A aprovação do FUNCOC, com pequenos ajustes já encaminhados pela ADPF ao Diretor-Geral da Polícia Federal, permitirá ao Governo Federal transmitir uma mensagem clara e inequívoca à sociedade brasileira: os recursos provenientes do crime serão destinados ao combate ao próprio crime”, afirmou Paiva.
