O diretor de Fiscalização do Banco Central do Brasil, Ailton Aquino, comparou a fraude do Banco Master ao caso envolvendo o Banco Cruzeiro do Sul, descoberto em 2012, durante o governo de Dilma Rousseff (PT). O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli retirou, nesta quinta-feira (29), o sigilo dos vídeos de um confronto ocorrido no âmbito do caso.
“O caso aqui em questão é muito parecido com o do Cruzeiro do Sul. O Cruzeiro do Sul também gerou créditos inexistentes, e aplicamos técnicas de auditoria e identificamos casos concretos de emissão”, disse Aquino.
A investigação diz respeito à emissão de cartões de crédito falsos pela Master, com envolvimento de três empresas: Tirreno, The Pay e Cartos. O cerne da discussão é a emissão de Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) com base em créditos inexistentes, “uma fabricação de CCBs”, nas palavras do delegado.
O diretor revelou ainda a técnica utilizada na fraude, que foi semelhante nos dois casos: o Banco Central recebeu alertas e monitorou notas com valor superior a R$ 5 mil. Os bancos emitiram então documentos com valores muito próximos, mas ainda abaixo disso. “No caso do Cruzeiro do Sul, tivemos que reduzir o valor da central de risco, que era de cinco mil reais, para duzentos reais, para dificultar a geração de crédito”, acrescenta.
O caso do Banco Cruzeiro do Sul gerou um prejuízo de aproximadamente R$ 2 milhões. No caso do Banco Master, o valor é dez vezes maior, aproximadamente R$ 12 bilhões, com impacto de R$ 4 bilhões no Banco de Brasília (BRB), que adquiriu créditos inexistentes.
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A decisão de levantamento do sigilo, segundo o Supremo, atende a um pedido do Banco Central do Brasil. O resto do processo permanece confidencial. Participaram das audiências, lideradas pela delegada da Polícia Federal (PF), Janaina Pereira Lima Palazzo:
- Ailton de Aquino, Diretor de Supervisão do Banco Central;
- Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master;
- Paulo Henrique Costa, ex-presidente do Banco de Brasília (BRB);
Segundo os depoentes, havia relatórios diários sobre a movimentação das carteiras do Tirreno ao Banco Central, tanto pela Master quanto pelo BRB. Aquino, porém, revela que as informações diárias só ocorreram após questionamentos da autoridade monetária.
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Advogado aponta pergunta “vaga e especulativa”, mas diretor responde
Toffoli também perguntou se o Banco Central tinha outras medidas a tomar em relação à Master, além da liquidação. O advogado de Aquino, porém, interveio: “a questão parece um pouco vaga e um pouco especulativa. Na verdade, só considerando que o colega respondente fala de fatos, e de medidas que o banco potencialmente pode adotar, em primeiro lugar, não são medidas que são adotadas só por ele, temos uma diretoria colegiada, uma governança, e em todo caso, são medidas que dependem de avaliações futuras, avaliações que estão em andamento”.
Houve então discussão sobre a questão levantada, até que Aquino decidiu responder, esclarecendo também o motivo de ter comunicado ao Ministério Público sobre as supostas irregularidades antes de abrir um processo administrativo para sancionar a empresa de Vorcaro: “A comunicação feita ao Ministério Público é um dever oficial. […] Tenho até cinco anos para ingressar com o processo administrativo sancionatório. […] Priorizamos primeiramente a comunicação das provas ao Ministério Público. […] Quanto ao processo administrativo sancionador, é outro curso, o curso da esfera administrativa.”
