
O embate entre o pastor Silas Malafaia e a senadora Damares Alves (Republicanos-DF) ganhou novos capítulos nos últimos dias após o parlamentar afirmar que a CPMI do INSS investiga a possível participação de grandes igrejas e lideranças evangélicas no esquema de fraudes contra aposentados e pensionistas.
Depois de acusar Damares de ser “irritante”, Malafaia intensificou a crise e chamou o senador de “cínico” e “mentiroso” nesta sexta-feira (16). Tudo começou quando ela deu uma entrevista para Notícias do SBTno dia 11.
“Vou falar uma coisa que me machuca muito. Estamos identificando igrejas no esquema de fraude de aposentados. [e pede]: ‘Não fale, não investigue, porque os fiéis vão ficar muito tristes’. Essa CPMI do INSS está chegando a lugares que nunca imaginamos”, disse à emissora.
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Três dias depois, Malafaia, que é líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, classificou a declaração como uma “afronta” e desafiou o senador a revelar os nomes das igrejas e pastores investigados.
“Ou você dá os nomes ou é um frívolo, falastrão. A acusação é grave e séria. E dá também os nomes dos líderes que pediram para você calar a boca. Se não bastasse satanás e os perversos que nos odeiam para nos caluniar, alguém dito evangélico vem fazer uma acusação dessa gravidade sem dar nomes”, afirmou.
Chegou a dizer que, se Damares não apresentasse os nomes, ela não seria “digna” de ser evangélica e de receber os “votos dos cristãos”.
“Se você não tem os nomes e as provas, cale a boca. Se tiver, denuncie para o bem da igreja evangélica.
Senador divulga igreja investigada pela CPMI do INSS
Em resposta, Damares divulgou o requisitos envolvendo igrejas e pastores. Ela destacou que as informações mencionadas na entrevista com Notícias do SBT “são públicos e constam de requerimentos apresentados e aprovados pela Comissão, amplamente divulgados e acessíveis à sociedade”.
O senador destacou que a possível participação de igrejas ou líderes religiosos em esquemas de fraude ao INSS “causa profundo desconforto e tristeza, considerando o relevante papel social e espiritual dessas instituições”.
“Ainda assim, a CPMI tem o dever constitucional de investigar os factos de forma responsável, imparcial e documental”, reforçou.
Algumas das solicitações já foram aprovadas pela diretoria e outras serão analisadas quando os trabalhos forem retomados. Veja a lista completa:
- Transferência de sigilo da Igreja Adoração;
- Transferência de sigilo do Ministério Assembleia de Deus da Igreja Renovo;
- Transferência de sigilo da Igreja Ministério Deus é Fiel (SeteIgreja);
- Transferência de sigilo da Igreja Evangélica Campo de Anatote.
- Convite a Cesar Belucci do Nascimento, líder religioso, para participar da CPMI;
- Convocação de André Machado Valadão, líder religioso, para prestação de depoimento e transferência de sigilo;
- Convite a Péricles Albino Gonçalves, líder religioso, para participar da CPMI;
- Convite a Fabiano Campos Zettel, empresário e líder religioso, para participar da CPMI. Zettel é cunhado de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, e foi alvo da segunda fase da Operação Compliance Zero realizada nesta quarta-feira (14);
- Convite a André Fernandes, líder religioso, para participar da CPMI.
Malafaia acusa Damares de ser “irreverente”
Após a publicação, Malafaia afirmou que o senador fez uma “acusação irreverente” que “denigre geralmente a igreja evangélica”.
“Ela publica uma nota que tem o nome de um grande líder e nenhum nome de uma grande igreja. Todos os outros nomes citados não representam grandes igrejas e não são líderes renomados”, disse o pastor.
Damares orienta pastor a “rezar um pouco”; Malafaia revida
Em entrevista ao jornal O GloboDamares afirmou que não submeterá suas ações no Senado ao pastor e que deverá orar. Ela mencionou ainda que dados da Assembleia de Deus do Amazonas, ligada a familiares do líder da bancada evangélica na Câmara, Silas Câmara (Republicanos-AM), também serão avaliados pela comissão.
“Malafaia precisa rezar um pouco. Não submeto a ele minhas ações parlamentares. Além das instituições que divulguei, também há menções na CPI da Assembleia de Deus do Amazonas. Mas a instituição já forneceu os dados solicitados, que estão em análise”, disse o parlamentar nesta quinta-feira (15).
O pastor rebateu e disse que o senador não é o “paladino da verdade”. Ele afirmou que ligou para o presidente da CPMI do INSS, senador Carlos Viana (Podemos-MG), para saber quem seria investigado. Segundo o líder religioso, Viana negou o envolvimento de “grandes líderes e igrejas” na investigação.
Nesta sexta-feira (16), Malafaia afirmou que a senadora “precisa se converter para parar de mentir e falar a verdade” e a chamou de “cínica”.
“Não seja cínico nem mentiroso. Você fez uma denúncia ao SBT dizendo que grandes igrejas evangélicas estavam envolvidas em roubos do INSS sem mencionar nenhuma delas. Você só mencionou igrejas e pastores depois que eu denunciei sua farsa”, disse ela.
“Até agora, você não mencionou o nome de uma grande igreja ou de qualquer pessoa que tenha feito lobby para que você permanecesse em silêncio. O desafio continua de pé! O que são as grandes igrejas? Você apenas mencionou igrejas pequenas e irrelevantes em documentos anteriormente expostos. Você não só precisa orar, mas também se converter para parar de mentir e falar a verdade”, acrescentou o pastor.
Malafaia pede para ser ouvido na CPMI do INSS
O deputado Rogério Correia (PT-MG) protocolou pedido de convocação de Malafaia à CPMI do INSS. Nesta sexta-feira (16), o pastor agradeceu e fez um apelo para que o pedido do petista fosse aprovado.
“A boa notícia que recebi hoje, 16 de janeiro, prova que Deus me ama. Ontem, o deputado petista Rogério Correia apresentou pedido à CPMI do INSS referente ao roubo de aposentados, para me convocar por causa da discussão e dos meus questionamentos à senadora Damares.
O pastor afirmou que a comissão deveria convocar o vice-presidente do Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi), Frei Chico, e Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, respectivamente irmão e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Quero fazer um pedido a todos os deputados e senadores desta grande comissão. Por favor, aprovem o pedido deste deputado. Será um prazer. Não será brincadeira me enfrentar lá”, disse o líder religioso.
