
A Polícia Federal investiga cinco pagamentos de R$ 300 mil feitos pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, à empresa de Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luís da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A informação consta de decisão do ministro do STF André Mendonça que autorizou a mais nova fase da operação Sem Desconto, lançada pela PF nesta quinta-feira.
Nos diálogos analisados pelos investigadores, o empresário afirma que o destinatário dos valores seria “o filho do menino”, sem especificar a quem se referia. O nome de Fábio Luis da Silva não aparece no documento. Ele e Roberta são amigos, como dizia o desafio de Lulinha em outubro. A defesa de Roberta afirma que ela “nunca teve qualquer relação com descontos do INSS”.
Em uma das mensagens trocadas entre Roberta e Antunes, a empresária tenta tranquilizar o careca do INSS dizendo: “na época do Fábio conversavam sobre Friboi, muita coisa, o maior (sic)… assim como você agora”. A decisão de Mendonça não especifica se o referido Fábio é filho do presidente.
Segundo relatório da Polícia Federal mencionado na decisão, uma consultoria ligada ao Careca do INSS transferiu pelo menos R$ 1,5 milhão para a empresa de Roberta Luchsinger, herdeira de banqueiro e pessoa próxima ao PT, em cinco transferências sucessivas de R$ 300 mil.
Roberta Luchsinger foi alvo de busca e apreensão e passou a usar tornozeleira eletrônica na nova fase da Operação Sem Desconto, lançada nesta quinta-feira (18). Segundo a Polícia Federal, Careca, do INSS, orientou um funcionário a efetuar pagamentos à empresa da empresária, vinculando os valores a um terceiro identificado apenas como “filho do menino”.
Em outros trechos citados na reportagem, referentes às mensagens trocadas no dia 29 de abril de 2025, Roberta escreve ao empresário: “E só para você saber, encontraram um envelope com o nome do nosso amigo no dia da busca e apreensão”. Depois, segundo a PF, Antônio Camilo responde demonstrando preocupação: “FODA-SE”.
No mesmo dia, Roberta envia outra mensagem do INSS para Careca com a instrução: “E Antônio, livre-se desses telefones. Jogue-os fora”.
Dias depois, em 5 de maio de 2025, Roberta encaminha ao referido empresário o nome Fábio relacionado à Friboi. Em 2015, Fábio Luís da Silva processou políticos por vincularem seu nome à empresa Friboi sem provas.
Para os investigadores, a menção a “Fábio” ilustra como os supostos líderes do esquema continuaram a se comunicar e planejam continuar as atividades ilícitas mesmo após o início da operação policial.
Em nota enviada ao jornal Estado de São PauloRoberta A defesa de Roberta Luchsinger disse que a empresária “nunca teve qualquer relação com descontos do INSS” e afirmou que foi procurada por Antônio Camilo para trabalhar na regulação de empresas de canabidiol.
“É preciso esclarecer que o negócio só permaneceu nas negociações iniciais e não prosperou. É preciso esclarecer também que as referidas negociações ocorreram antes das revelações dos desvios dos descontos do INSS e da participação de Antônio Carlos Camilo Antunes nas investigações”, afirmou.
PF investiga denúncia sobre “abono” feita por ex-assessor
Apesar de não ter sido incluído na decisão de Mendonça, o ex-assessor de Careca, Edson Claro, alegou à PF que recebia mensalidades de cerca de R$ 300 mil, descritas como uma espécie de “mesada”. A denúncia foi publicada originalmente pelo portal Poder360 com base em informações da testemunha à PF e que foi levada a integrantes da CPMI.
O valor total movimentado poderá chegar a R$ 25 milhões. Ainda segundo o depoimento, o filho do presidente Lula e o “Careca do INSS” teriam feito viagens juntos para Portugal —uma delas, segundo o depoente, teria sido um voo de Guarulhos para Lisboa, em novembro de 2024.
