A Polícia Federal (PF) informou ter desencadeado a segunda fase da “Operação Prego e Carne 2” na manhã desta terça-feira (16), que investiga o vazamento de “informações confidenciais” de outra operação para favorecer uma facção criminosa. Um dos alvos da operação é o desembargador Macário Judice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região.
Na primeira fase da operação, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, Rodrigo Bacellar (União), foi preso e posteriormente libertado com tornozeleira eletrônica após votação dos deputados estaduais do Rio.
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Macário é o relator do caso que envolve o ex-deputado Thiego dos Santos, conhecido como TH Joias, preso em setembro e supostamente envolvido com a facção criminosa Comando Vermelho (CV). Além dele, outras 17 pessoas foram presas na Operação Zargun, o que teria sido prejudicado pelo vazamento visado pela operação de hoje.
O magistrado teria contribuído com a facção criminosa, segundo informações obtidas pelo celular de Bacellar. Macário estava com Bacellar quando TH Joias foi informado da operação policial, o que acabou frustrando as apreensões planejadas. Além de relator do caso, ele foi o autor do pedido de prisão, vazado antes do cumprimento.
Na ação desta manhã, a PF informou ter cumprido mandado de prisão preventiva e dez mandados de busca e apreensão, expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF), nos estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo. A PF auxilia o STF no âmbito do julgamento da ADPF 635/RJ (ADPF das Favelas) que, entre outras medidas, determinou investigações sobre a atuação de facções criminosas e suas ligações com agentes públicos.
Além das prisões realizadas, o STF determinou a transferência de TH Joias para o regime disciplinar diferenciado, incluindo sua transferência imediata para um presídio federal.
Juiz ficou afastado por 18 anos
Quando ainda era juiz, o magistrado, que hoje é desembargador, foi afastado de suas funções há 20 anos, em novembro de 2005. Segundo as investigações, ele teria participado de um esquema de venda de sentenças judiciais para favorecer a máfia Jogo do Bicho.
Dez anos depois, o TRF-2 declarou sua aposentadoria compulsória, acusado de esquema de máfia de caça-níqueis no Espírito Santo. Ele permaneceu afastado do cargo durante todo esse período. A decisão, porém, foi revogada em 2022 por liminar do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
Em maio de 2023, o juiz retornou às funções de titular da 3ª Vara Federal de Vitória. Em junho do mesmo ano, foi promovido a juiz.


