Torres pede para cumprir pena na PF ou em batalhão da PM



O ex-ministro da Justiça Anderson Torres pediu nesta segunda-feira (24) ao Supremo Tribunal Federal (STF) o cumprimento da pena de 24 anos de prisão na Superintendência da Polícia Federal ou no Batalhão de Aviação Operacional da Polícia Militar (Bavop), em Brasília, caso o ministro Alexandre de Moraes determine a execução antecipada da pena.

A defesa argumentou que Torres já sofreu ameaças de morte enquanto foi secretário de Segurança Pública do Distrito Federal e, além disso, é delegado da PF há mais de 20 anos. Os advogados Eumar Novacki, Raphael Menezes e Mariana Macedo também destacaram que o ex-ministro não tratamento de depressão.

Sete dos oito arguidos do chamado “núcleo crucial” da alegada tentativa de golpe até às 23h59 desta segunda-feira apresentar novos pedidos de declaração. A primeira tentativa foi rejeitada por unanimidade pela Primeira Turma do STF. Esse tipo de recurso serve apenas para esclarecer contradições ou omissões na sentença e não altera o resultado do julgamento.

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Com isso, Moraes pode decretar o início do cumprimento das penas. Outra possibilidade de recurso é a violação de embargos. Nesse caso, o prazo termina às 23h59 da próxima sexta-feira (28). Os infratores poderão ser autuados quando a decisão colegiada não for unânime.

Contudo, o entendimento atual do Tribunal prevê que esta modalidade só seja analisada quando houver duas votações divergentes nas Turmas, o que não aconteceu no julgamento do “núcleo 1”. Apenas o ministro Luiz Fux discordou.

Além disso, Moraes pode considerar que os embargos infratores foram apresentados para adiar o início da pena e rejeitá-los. A defesa de Torres optou por não apresentar embargos de declaração, mas informou que apresentará embargos infracionais, que poderão alterar a condenação, até o dia 3.

Os defensores destacaram que os cargos ocupados pelo ex-ministro “o colocam em um contexto concreto de risco no sistema prisional comum, inclusive por meio da atuação direta no combate ao crime organizado”.

Torres esteve preso preventivamente entre janeiro e maio de 2023. Desde então, vem cumprindo medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica. Segundo a defesa, ele é acompanhado por um psiquiatra desde que foi preso e toma antidepressivos e antipsicóticos.

“Esses elementos, em conjunto, tornam incompatível o eventual confinamento em unidade prisional comum, exigindo a adoção de local específico que proteja efetivamente a integridade física e mental do preso”, enfatizou a defesa.

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), também condenado no “núcleo crucial” da suposta trama golpista, está preso preventivamente na Superintendência da PF, em Brasília. A prisão, porém, ocorreu no âmbito do inquérito que investiga a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos.

Defesa de Braga Netto pede redução de pena de 6 meses

A defesa do ex-ministro Walter Braga Netto apresentou novos embargos para declaraçãosolicitando a correção de suposto erro material na soma de suas sentenças. Segundo os advogados, a pena definitiva imposta ao general, registrada na sentença como 26 anos de prisão, é incorreta e deveria ser 25 anos e 6 meses. Braga Netto está em prisão preventiva desde dezembro de 2024.

Os defensores apontam uma discrepância entre o voto revisado do relator e a tabela final de penalidades utilizada na parte dispositiva da decisão. Inicialmente, Moraes impôs pena de sete anos pelo crime de tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito. Porém, após discussão entre os ministros, o relator teria reduzido a pena para seis anos e seis meses.

Ex-Ministro da Defesa apresenta novos embargos para declaração

O ex-ministro da Defesa do governo Bolsonaro, general Paulo Sérgio Nogueira, apresentou o segunda tentativa de embargos para declaração essa noite. No documento, o advogado Andrew Farias pede a absolvição do militar ou a correção de suposto erro no valor final da pena, fixada em 19 anos de prisão.

Farias afirma que a dosimetria correta da pena seria de 16 anos e quatro meses de prisão, considerando a soma das penas individuais devidamente fundamentadas. Ele ressalta que a decisão foi omissa ao não comentar a tese da exclusão da imputação em razão da redução do risco aos bens jurídicos.

A defesa sustenta que a própria decisão, ao analisar a conduta de Nogueira, reconheceu elementos que se enquadram na redução do risco. Durante o julgamento, Moraes considerou que o general procurou, por vontade própria e com eficiência, evitar ou mitigar as consequências do suposto plano golpista. O ministro Flávio Dino afirmou ainda que Nogueira “tentou rebaixar” o planejamento em última hora.

Para Farias, os crimes de dano qualificado e deterioração, ocorridos em 8 de janeiro de 2023, e a tentativa de golpe de Estado, que pressupõe a deposição do governo legitimamente constituído em 1º de janeiro de 2023, não poderiam ser imputados ao general, pois ele teria agido antes para diminuir o risco desses crimes.

Defesa de Heleno critica Moraes e aponta nulidade de provas

A defesa do General Augusto Heleno, ex-ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), apresentou embargos à declaração com efeitos infratoresapós o indeferimento do recurso anterior. O advogado Matheus Milanez alega que Moraes “investigou ativamente” as redes sociais de uma testemunha de defesa durante a instrução e utilizou “documentos e dados não constantes do processo para interrogá-la”.

Heleno foi condenado a 21 anos de prisão. Além disso, criticou o relator por assumir um “protagonismo na formulação de questões” aos réus, causando “evidente prejuízo à defesa, configurando quebra da imparcialidade necessária ao julgamento desta demanda”.

A defesa também considera contraditória a afirmação de que Heleno participou diretamente do uso da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) para fins ilegais. O advogado ressaltou que o ex-chefe do GSI não foi indiciado ou investigado no inquérito da PF que apurou o uso do software “First Mile”, que teria sido utilizado pela “Abin paralela”.

Além disso, segundo Milanez, o relatório final da PF indica que Heleno era um dos monitorados. “Então, Excelências, como é possível que o réu fizesse parte dessa chamada “Abin paralela”, mas fosse monitorado por ela?”, questionou.

A defesa de Heleno exige, nos termos do embargo, que as contradições, omissões e obscuridades sejam sanadas para, com efeitos infratores, absolver o general da conduta que lhe é atribuída.



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