
Um ex-prefeito que sugeriu “guilhotinar” o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, pode conseguir um acordo para não ser preso. A Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer favorável ao pedido da defesa para Fabiano Feltrin (PL)que comandou a cidade de Farroupilha (RS) de 2021 a 2024.
A PGR acusa Feltrin de incitação ao crime (artigo 286.º do Código Penal). O crime, neste caso, seria o homicídio (artigo 121 do Código Penal). A pena por incitação ao crime pode ocorrer de duas formas, conforme a lei: ou por detenção, de três a seis meses, ou por multa. Com o acordo proposto, a punição seria convertida para formas alternativas:
- prestação de serviço comunitário por 180 horas;
- pagamento de R$ 5 mil;
- proibição de uso de redes sociais durante o acordo;
- não cometer o mesmo crime ou qualquer outro crime novamente até que o caso seja encerrado;
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O que Feltrin fez?
No dia 25 de julho de 2024, o então prefeito de Farroupilha fez uma transmissão ao vivo, acompanhado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Questionado sobre uma possível estátua em homenagem a Moraes, Feltrin respondeu: “Não existe tal coisa aqui. Vou mostrar a ele qual é o tributo aqui. Basta colocá-lo aqui sob a guilhotina.” O prefeito manipulou um objeto semelhante a uma guilhotina. A Polícia Federal apreendeu o instrumento como parte da investigação.
Para a PGR, a lei incentiva “de forma pública e explícita a prática do crime de homicídio contra Alexandre de Moraes”. Argumenta ainda que o arguido agiu “de forma livre, consciente e voluntária” e que a sua posição constitui um agravante da situação, dada a exposição pública que acarreta.
O que Feltrin diz?
Em sua defesa, Fabiano Feltrin afirma que a fala ocorreu em tom de brincadeira e em ambiente reservado. Feltrin afirmou ainda que, embora critique o ministro, “qualquer alusão a atos de violência é inadequada”. Ele pediu desculpas e disse que o discurso não refletia nenhum desejo pessoal ou tentativa de encorajar outras pessoas a cometerem o mesmo crime. “A minha carreira mostra que sempre respeitei as pessoas e as instituições – e quero continuar assim”, concluiu.
