
No programa Última análise desta quinta -feira (18)Os comentaristas avaliaram a sobrevivência da agenda de anistia, que sofreu um revés nesta semana. Isso ocorre porque, após a aprovação da sala de emergência na Câmara dos Deputados, vista como uma vitória para a oposição, o deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) foi nomeado relator. Ele afirmou que uma anistia ampla, geral e irrestrita seria “impossível” e antecipou um projeto apenas com redução de penas.
Para o professor da FGV, Daniel Vargas, a idéia de Paulinho, em vez de resolver, pode até agravar o problema. “É o pior de todos os mundos. Ela nem perdoa, nem punindo e acaba criando uma nova situação. A tendência, especialmente em um campo de batalha tão dividido e moralmente sensível, é que nenhum dos lados está feliz”, explica ele.
O projeto de lei (PL) que se concentrou na anistia condenado pela suposta tentativa de golpe deve ser transformada, assim, em um “PL da dosimetria” no Congresso Nacional, segundo o Paulinho Prorio.
O advogado e o especialista em direito constitucional Frederico Junkert afirma que este é um “jogo de cartas marcado”. Junkert diz que “Hugo Mota estava resistindo a orientar a anistia e agora guiado, mas já com esse ‘idiota nos bastidores’. Uma mera redução da penalidade não me parece suficiente”.
Mendes age contra o impeachment
O ministro do STF, Gilmar Mendes, solicitou na quarta -feira (17) informações sobre as regras para o impeachment dos ministros do Tribunal ao Congresso Nacional, ao Procurador Geral do Union (AGU) e ao Gabinete do Procurador Geral (PGR). O reitor é o relator de duas ações que podem dificultar a remoção dos membros do STF. As manifestações devem ser enviadas ao ministro dentro de cinco dias.
“Nenhum pedido de impeachment avança, mas eles se consideram muito expostos. Não me lembro de uma época em que houve um debate sério sobre a possibilidade de iniciar um processo de impedimento de um ministro do STF no Congresso Nacional”, lamenta Vargas.
O jurista André Marsiglia diz que este é um sintoma de “democracia sem pessoas” que o Brasil se tornou. “O judiciário não é apenas uma parte, ele é quem resolverá o braço de ferro que você tem com as outras partes. A Suprema Corte se tornou um ator político e, portanto, perdemos a possibilidade de ter juízes isentos”, diz Marsiglia.
O programa Última análise Faz parte do conteúdo jornalístico ao vivo de Gazeta do POVO no YouTube. O tempo da exposição é das 19h às 20h30, de segunda a sexta -feira. A proposta é discutir racionalmente, aprofundar e respeitosamente alguns dos tópicos desafiadores para as instruções do país.
