
O procurador-geral da União, Jorge Messias, rejeitado pelo Senado para ocupar vaga no Supremo Tribunal Federal (STF) na última quarta-feira (29), publicou em seu perfil no X uma mensagem motivacional acompanhada de uma montagem produzida por inteligência artificial.
Na imagem, Messias aparece segurando a Constituição Federal perto do peito. “É preciso coragem para defender princípios quando eles não são populares. Mas é exatamente aí que nasce a história que vale a pena viver.
Na legenda, o procurador-geral acrescentou que “o que fazemos hoje ecoa amanhã”. A arte traz ainda uma lista de afirmações atribuídas a ele: “Defenda a Justiça. Conheça a Verdade. Sirva com propósito. Transforme a realidade”.
Messias teve seu nome rejeitado no plenário do Senado por 42 votos contrários e 34 a favor, resultado que representou uma derrota histórica para o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desde a criação do STF, há 135 anos, apenas cinco indicações foram bloqueadas pelo Senado —todas em 1894, no governo de Floriano Peixoto.
Ministério da Verdade, aborto e “golpe contra Dilma”
Durante a audiência, senadores questionaram Messias com base em declarações públicas e documentos de autoria do próprio procurador-geral. Um dos pontos centrais foi sua atuação na ADPF 1.141, em que a Advocacia-Geral da União defendeu a possibilidade de aplicação de assistolia fetal em casos de aborto após a 20ª semana de gestação — período em que o feto está muito próximo da viabilidade extrauterina.
Trechos de sua tese de doutorado também foram criticados. Em seu trabalho acadêmico, Messias classificou o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff como um “golpe” e elogiou a atuação do Supremo Tribunal Federal na chamada “defesa da democracia”, especialmente no enfrentamento aos atos de 8 de janeiro de 2023.
Outro fator que contribuiu para a deterioração de sua candidatura foi a atuação do Ministério Público Nacional da União de Defesa da Democracia (PNDD), órgão ligado à AGU e apelidado de “Ministério da Verdade”.
Dias antes da audiência, a AGU, sob o comando de Messias, enviou notificação extrajudicial a X solicitando a retirada de publicações críticas a projetos relacionados ao combate à misoginia. A medida incluiu postagens de usuários e perfis de jornalistas, o que gerou forte repercussão negativa entre os parlamentares e reforçou questionamentos sobre a liberdade de expressão.
