
O procurador-geral da União, Jorge Messias, agradeceu aos ministros André Mendonça e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta quinta-feira (30), pelas manifestações de apoio após o Senado rejeitar sua indicação para a Corte.
Messias disse que foi “uma das maiores honras” da sua vida ter contado com a colaboração de Mendonça desde o início do processo. O ministro foi o primeiro membro do STF a manifestar apoio público à indicação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
“Receber o seu apoio durante esta jornada desafiadora foi uma das maiores honras da minha vida. Sua atitude reflete integridade, gentileza e coerência, servindo de fonte de inspiração para toda uma geração de juízes”, disse Messias, no X.
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Após a votação, o juiz disse respeitar a escolha do Senado, mas destacou que o Brasil perdeu “a oportunidade de ter um grande ministro do Supremo”.
“Messias é um homem de caráter, íntegro e que atende aos requisitos constitucionais para ser Ministro do STF. E amigo de verdade não está presente nas festas; está presente nos momentos difíceis. Messias, saia dessa batalha de cabeça erguida. Você combateu o bom combate!”, disse Mendonça.
Ambos são evangélicos. Antes de assumir o cargo, Mendonça comandou a AGU e, assim como Messias, também enfrentou resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP).
“Que Deus o abençoe abundantemente por sua firmeza em manter os ensinamentos do evangelho de Jesus Cristo”, declarou Messias ao colega.
Messias diz que palavras de Gilmar são “inspiração para continuar”
O ministro Gilmar Mendes disse considerar Messias “um dos maiores juristas da história recente do Brasil, cuja carreira, marcada pela dignidade, retidão e dedicação ao serviço público, fala por si”.
O reitor do STF afirmou que a AGU “submeteu-se a rigoroso escrutínio público, em meio a turbulências e, por vezes, a graves ataques à sua honra”.
“Ele se comportou, em todos os momentos, com coragem, dignidade e humildade. A história saberá fazer justiça à sua trajetória, dado o seu compromisso com o Estado Democrático de Direito e os relevantes serviços que já prestou às instituições. O Brasil se beneficia em tê-lo onde quer que esteja”, destacou Gilmar.
Em resposta, Messias agradeceu “profundamente pelas suas palavras carinhosas”, e disse que as recebeu como “inspiração para continuar o meu compromisso com o sistema de justiça do nosso país, mantendo o orgulho, a independência e a serenidade”.
Messias é o sexto indicado ao STF bloqueado pelo Senado
Para que Messias fosse aprovado eram necessários pelo menos 41 votos favoráveis entre os 81 senadores, mas apenas 34 apoiaram a escolha de Lula. Foram 42 votos contra.
O Senado não proíbe indicação desde 1894, quando rejeitou cinco nomes apresentados pelo governo de Floriano Peixoto. Após a votação, Messias disse ter sido alvo de uma campanha de desgaste nos últimos cinco meses.
Segundo ele, o governo sabe quem foi o responsável por essa articulação. “Passei cinco meses de desconstrução da minha imagem, ocorreram todo tipo de mentira para me desconstruir. Sabemos quem promoveu tudo isso”, disse Messias.
