Defesa de Augusto Heleno diz que Moraes atua como “juiz inquisidor”



A defesa do general Augusto Heleno, ex -comandante do Escritório de Segurança Institucional (GSI) do governo do ex -presidente Jair Bolsonaro (PL), disse que o ministro Alexandre de Moraes atua como um “juiz inquisidor” no processo que investiga uma suposta tentativa de cupimento após as eleições de 2022. A ação criminal entrou no segundo dia de julgamento na Suprema Corte (STF) (3).

Ao contrário do primeiro dia, no dia anterior, onde as defesas elogiaram o desempenho dos magistrados da primeira classe e criticaram a denúncia premiada do tenente-coronel Mauro Cid, este segundo dia começou com as críticas ao papel do relator.

“Temos uma postura ativa do relator de testemunhas de investigação. Por que o promotor não fez isso, qual é o papel do juiz ou o juiz do Inquisidor”, disse o advogado Matheus Mayer Milanez.

Milanez apresentou um slide com perguntas ao desempenho de Moraes durante a fase instrucional da ação criminal, afirmando que ele fez 302 perguntas contra apenas 59 do Serviço de Promotoria Pública. O que, para ele, aponta para um tipo de atuação investigativa do magistrado, enquanto, como juiz, deve ser “a imparcial da causa”.

De acordo com a apresentação e citação do advogado, Moraes teria investigado as redes sociais de uma testemunha para questioná -la em comunicado.

“Quem tem a iniciativa probativa, que é responsável pelo ônus da prova?

Ele também citou uma declaração do ministro Luiz Fux, que faz parte da primeira aula com Moraes, afirmando que um juiz “pode, sob qualquer circunstância, se tornar o protagonista do processo” substituindo a “ação probativa do órgão de acusação”-neste caso, o Promotor Federal do Gabinete do Procurador Geral, que apresentou as reclamações ao STF.

O advogado também criticou a remessa de perguntas de Moraes a Heleno, pelo direito de ficar em silêncio. Para essa defesa técnica, a questão da invalidez para a violação do sistema acusatório do direito ao silêncio é muito evidente e clara.

Além de questionar o desempenho de Moraes na condução do processo, Matheus Milanez também criticou a grande quantidade de evidências fornecidas pela investigação policial federal sem classificação ou critério, bem como o tamanho dos arquivos. Ele disse que, embora a defesa tivesse pouco tempo para analisar todos os dados e “martelar” o pedido para verificar a agenda de Heleno apreendida durante a Operação Tempus Veritatis, que continha anotações supostamente relacionadas ao suposto plano de golpe.

“O que foi solicitado foi uma explicação, um índice, um resumo que é assim. Mas isso foi negado sob o pretexto de que seria apenas atrasar”, disse ele.

Augusto Heleno faz parte do chamado “Core 1” ou “Crucial” da suposta tentativa de golpe, com Bolsonaro, CID, vice federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que foi diretor geral da Agência de Inteligência Brasileira (Abin); Almirante Almir Garnier Santos, ex -comandante da Marinha; Anderson Torres, ex -ministro da Justiça; e os generais Augusto Heleno, ex -ministro do Escritório de Segurança Institucional (GSI); Paulo Sérgio Nogueira, ex -ministro da Defesa; e Walter Braga Netto, ex -ministro da Defesa e Casa Civil. É a primeira vez na história do país que os militares serão julgados em um tribunal civil.

Além do general, ainda será ouvido na quarta -feira (3) as defesas de Bolsonaro, Nogueira e Braga Netto. No dia anterior, as defesas da CDI, Ramagem, Garnier e Torres foram ouvidas-tudo apontou para contradições na denúncia premiada da Ordem anterior.

Por outro lado, a defesa de Mauro Cid rebateu as alegações e afirmou que a denúncia foi validada pelo Tribunal em mais de uma oportunidade, tanto em uma audiência com o relator da ação, o ministro Alexandre de Moraes quanto pelo plenário da primeira classe.

Durante a apresentação do relatório de ação criminal, na terça -feira (2), Moraes ficou enfática nas alegações do suposto golpe e citou a pressão que o tribunal está sofrendo – inclusive do exterior – por causa do julgamento. No entanto, ele disse que a Suprema Corte “não aceitará coercões”.

Logo depois, Gonet apresentou a promotoria classificando o suposto plano como “incrível e panorama escuro” e considerou isso para a “tentativa [de golpe] Foi consolidado ”não era necessário ter uma ordem assinada pelo Presidente da República para adotar medidas explicitamente estrangeiras à regularidade constitucional.

O julgamento deste “núcleo 1” da suposta tentativa de golpe terá, na próxima semana, a apresentação dos votos dos ministros que compõem a primeira aula, como Moraes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin, que pré -adiantam a colegial. Eles votarão nesta ordem e a sentença é dada ao formar a maioria – ou seja, três votos.

A aplicação das penalidades, no entanto, não é imediata e a execução começa somente após a exaustão de todos os recursos apropriados. Ainda há dúvida de se os réus, em qualquer condenação, cumprirão as penalidades em prisões especiais, instalações militares ou até mesmo prisão domiciliar.



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