Quem é a deputada católica cotada como vice de Flávio Bolsonaro


Na ausência de uma extensa fila de candidatos ao cargo nas fileiras políticas do centro à direita — com nomes de destaque que vão desde governadores até patrocinados por presidentes de partidos e aliados influentes — “correndo à margem” para que talvez possam superar todos os demais, ganham forças para concorrer à vice-presidência na chapa presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL) o nome do deputado federal Simone Marquetto (PP), 50 anos.

Marquetto se reuniu com o senador a convite dele no início desta semana em São Paulo e saiu da reunião parecendo um “favorito” para o cargo. “Flávio, esse bate-papo, essa conversa, esse trabalho é uma alegria que estaremos unidos pelo Brasil, respeitando sempre a nossa fé, que é o mais importante, e colocando Deus no centro das nossas decisões”, diz o deputado católico no vídeo publicado no Instagram aos seus 163 mil seguidores após o encontro.

Ao mesmo tempo, ela declarou seu apoio oficial à candidatura de Flávio Bolsonaro e deu o tom religioso, que marca sua trajetória política — Marquetto trabalhou por vários anos como repórter e apresentador de emissoras locais de TV aberta e se tornou influenciador católico antes de entrar na política. Ela é muito conhecida no interior de São Paulo.

No mesmo vídeo, ao lado do deputado, Flávio dá pistas de por que poderá ser escolhido para a chapa. “Simone, é uma grande honra conhecê-la pessoalmente, comecei a acompanhar seu trabalho nas redes sociais, em termos de fé, junto à comunidade católica, e essa defesa da família, que é o que nos une”, diz o senador em trecho da gravação.

“Vamos começar aqui juntos uma jornada em defesa do nosso país, ok?”, acrescenta o senador em uma “piscadela política” ao seu possível companheiro de chapa. Flávio Bolsonaro enfrenta resistências que seu pai não teve entre os eleitores conservadores mais religiosos.

VEJA TAMBÉM:

  • Tereza Cristina descarta vice-presidente e revela plano de ser a primeira mulher a presidir o Senado.

    Tereza Cristina avalia chance de ser vice de Flávio e diz que quer presidir o Senado

Opção pela vice-presidência de Flávio inclui cálculo de atração do voto conservador

Lideranças evangélicas já manifestaram publicamente sua desconfiança no senador ou, pior, declararam apoio a outros candidatos. Silas Malafaia chegou a dizer em janeiro que a candidatura de Flávio não era animadora —os dois selaram a paz no almoço do mês passado e o apoio oficial deverá ser anunciado ao lado do pré-candidato em culto na Assembleia de Deus Vitória em Cristo no início de maio.

O bispo Samuel Ferreira — presidente executivo da Convenção Nacional das Assembleias de Deus Ministério de Madureira, uma das maiores do Brasil — declarou apoio ao pré-candidato presidencial do PSD, Ronaldo Caiado. Um duro golpe tanto para o presidente Lula, que lutava por esse apoio, quanto para Flávio.

Sua abordagem ao deputado paulista pode ser interpretada dentro deste tabuleiro de xadrez. Assim, a opção por Marquetto seria um gesto mais firme e amplo no esforço de atrair não só o voto evangélico, mas o voto cristão como um todo.

Nos bastidores, segundo interlocutores de Flávio conversaram em particular com o Gazeta do Povofechar essa conta não é tão simples, mas apoiadores da campanha de Flávio em São Paulo confirmam que o nome do deputado agrada muito ao grupo político como opção estratégica para consolidar o voto conservador ainda disperso.

VEJA TAMBÉM:

  • Candidatos de direita à presidência do Brasil

    Variedade de opções deixa eleitores indecisos sobre qual o melhor candidato de direita

PP trabalha para recrutar Simone Marquetto como suplente de Flávio

Segundo nota divulgada pela assessoria de imprensa do PP em São Paulo, “Simone Marquetto e o pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro, avançaram nas conversas que posicionam o parlamentar como o nome mais forte para ocupar o cargo de vice-presidente na chapa”.

“A articulação, que está sendo feita pelo presidente estadual do Progressistas de São Paulo, Maurício Neves, e pelo presidente nacional do partido, senador Ciro Nogueira, coloca o partido no epicentro das decisões nacionais”, destaca a posição do partido. “Ela é atualmente a maior liderança política do Brasil dentro da Igreja Católica e tem penetração fundamental em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, garantindo à chapa uma capilaridade que une fé e força regional”, argumenta ainda na nota.

“O nome de Simone Marquetto como vice-presidente de Flávio Bolsonaro traz uma força gigantesca à chapa. Ela alia o sólido trabalho que faz em São Paulo à sua força de grande dirigente da Igreja Católica.

Simone Marquetto está próxima de Frei Gilson

Em fevereiro, o nome do ex-prefeito de Itapetininga, reeleito com alta aprovação (2017-2022) pelo MDB antes de se tornar deputado federal em primeiro mandato nesta legislatura, chegou a ser cogitado como vice-opção na chapa alternativa conservadora organizada por Gilberto Kassab no PSD. Ligada a Frei Gilson e outros líderes religiosos, Simone Marquetto consolidou-se como uma das principais representantes da Igreja Católica no Congresso.

Nas redes sociais, ela atua como uma espécie de influenciadora religiosa, divulgando sua participação em eventos pelo país ligados à imagem peregrina de Nossa Senhora Aparecida. Ela é autora da lei que criou o Dia Nacional do Rosário da Virgem Maria e também da sessão solene em homenagem à visita da imagem peregrina de São Miguel Arcanjo, vinda do Monte Gargano, na Itália, ao Brasil.

No PP, outra candidata à vice de Flávio Bolsonaro é a senadora Tereza Cristina. Os defensores de Simone, porém, argumentam que o ex-ministro da Agricultura do governo Jair Bolsonaro (PL) pertence a um estado com menor expressão eleitoral – Mato Grosso do Sul – e tem apelo para um eleitorado que já tende a seguir Flávio: o agronegócio.

“Simone Marquetto resolve três ‘problemas’ ao mesmo tempo: ela é mulher, tem linguagem religiosa católica explícita, vem do interior de São Paulo e hoje está no PP, partido que pode ser decisivo para qualquer chapa competitiva de direita em 2026 e com forte apoio no governo Bolsonaro”, afirma. Gazeta do Povo cientista político Samuel Oliveira. “Nas redes sociais, ela reforça uma identidade católica muito forte, o que a diferencia da direita evangélica mais tradicionalmente associada ao campo político de Bolsonaro”.

Na avaliação de Oliveira, Simone oferece à chapa uma forma de falar com um eleitorado conservador que não quer necessariamente a estética mais dura de Bolsonaro, especialmente as mulheres e os católicos praticantes. O principal ponto contrário é justamente que ainda é pouco conhecido nacionalmente, tem pouco peso fora de São Paulo e, numa disputa presidencial, pode ser lido mais como uma obra de engenharia eleitoral do que como um nome naturalmente de massa.

“Mas numa chapa com o sobrenome Bolsonaro, o vice-presidente ideal não é necessariamente aquele que brilha sozinho; é aquele que reúne segmentos sem criar um polo próprio de poder”, diz Oliveira. “É menos um projeto próprio e mais uma ferramenta de costura entre PL e PP, principalmente se o objetivo é oferecer uma abordagem de direita menos agressiva às embalagens, sem alterar o conteúdo central da campanha”, afirma.



Source link

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *