Governo do PT protegeu juros extorsivos do Credcesta do Master



O governo petista na Bahia prendeu milhares de servidores públicos estaduais em uma armadilha de juros de quase 6% ao mês, pagos ao Banco Master, no programa de cartão de crédito consignado conhecido como Credcesta. A porta de saída foi fechada por decreto do então governador Rui Costa, no início de 2022, que proibia os funcionários de portarem suas dívidas para outros bancos que oferecessem taxas bem mais baixas.

O episódio noticiado nesta Gazeta lembra o “modelo de negócio” do escândalo envolvendo descontos associativos para aposentados e benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Envolve também descontos automáticos e questionamentos sobre a falta de proteção contra mecanismos que atuam diretamente sobre a renda mensal dos trabalhadores.

Por um lado, o CréditoCesta, uma espécie de vale-mercado criado na Bahia em 2007 e posteriormente transformado em cartão de crédito consignado. De outro, o esquema de descontos associativos não autorizados que desviou pelo menos R$ 6 bilhões do INSS.

Extração de renda dos trabalhadores, estilo sanguessugas

Em ambos os casos, o mecanismo central envolve a autorização para descontos diretos em folha de pagamento ou benefícios previdenciários, com a intermediação de associações sindicais ou entidades representativas. O resultado foi a criação de fluxos financeiros automáticos e contínuos, uma apropriação dos rendimentos dos trabalhadores endossada e viabilizada pelo Estado.

No caso da Bahia, a CredCesta passou por reformulação durante os governos petistas e acabou sendo operada pelo Banco Master, liderado por Daniel Vorcaro. O modelo permite a utilização de parte do salário do servidor como garantia automática para pagamento de despesas realizadas no cartão, com altas taxas de juros no cartão rotativo. Funcionou tão bem para o Banco Master e suas conexões políticas que o modelo se espalhou por 24 estados brasileiros e dezenas de municípios.

Embora os dois casos envolvam mecanismos diferentes — crédito consignado num, descontos associativos no outro — o desenho operacional é semelhante: associações ou sindicatos intermediários, acesso direto aos rendimentos do trabalhador ou reformado e forte dependência de atos administrativos que autorizem ou mantenham os descontos. Em Ouça Essa, o jornalista Marcos Tosi compara os estratagemas que prosperaram nos governos petistas à forma como as sanguessugas agem: agarram-se à vítima sem serem notadas, engordam com o sangue alheio e lutam até a morte para não largar o hospedeiro.



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