Delegados da PF querem direito de questionar suspeição de juízes



Delegados da Polícia Federal pediram ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), nesta sexta-feira (13), a aprovação de mudanças na legislação que permitam à autoridade policial solicitar a suspeição ou impeachment de juízes.

Na carta, a Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (ADPF) e a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal (Fenadepol) citam os recentes impasses com o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), na investigação do Banco Master.

“Restringir a capacidade do delegado está ferindo a independência de quem investiga casos extremamente complexos e relevantes. Está burocratizando o combate ao crime e criando um obstáculo que só favorece a impunidade”, diz o documento.

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O pedido ocorre dias depois de a PF encontrar citações sobre Toffoli no celular de Daniel Vorcaro, dono da Master. O diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, entregou o relatório ao presidente do STF, Edson Fachin, apontando a possibilidade de suspeita por parte do então relator.

Após a imprensa publicar trechos do parecer da PF, Toffoli deixou a reportagem do caso Master. No entanto, os ministros da Corte descartaram a possibilidade de suspeição ou impedimento do colega.

Agora, as entidades pedem que o delegado “poderá recorrer de indeferimentos parciais ou totais de pedidos e representações feitos ao Poder Judiciário, no interesse da elucidação dos fatos, bem como argumentar impedimentos e suspeitas de qualquer autoridade atuante no respectivo inquérito policial, se houver elementos suficientes para tanto”.

Segundo as associações, os delegados da PF responsáveis ​​pelo caso Master tiveram acesso negado a documentos e objetos apreendidos e foram impedidos de apresentar elementos ao suspeito de Toffoli.

“A Polícia Federal foi obrigada a tentar buscar ajuda de órgãos externos para pedir reconsideração à Justiça, sem sucesso. Da mesma forma, agora há argumento de que a Polícia Federal não poderia apresentar elementos para suspeitar do relator da Operação Compliance Zero no STF por não ser parte no processo”, afirmam as entidades.

Após entregar o relatório, a assessoria de Toffoli disse que “o pedido de declaração de suspeição apresentado pela Polícia Federal trata de conclusões”.

No mês passado, o ministro assumiu a custódia das provas apreendidas na segunda fase da Operação Cumprimento Zero, que teve como alvo familiares de Vorcaro, da PF. Ele ordenou que todos os documentos, celulares e computadores apreendidos fossem lacrados e guardados no Supremo Tribunal Federal.

Horas depois da determinação, Toffoli voltou atrás, mas determinou que o material ficasse sob responsabilidade da Procuradoria-Geral da República (PGR). Ele autorizou quatro peritos da PF a acompanhar a extração dos dados.

A ADPF e a Fenadepol argumentam que, embora o delegado não busque condenar ou absolver, sua atuação é “técnica, científica e imparcial” e visa esclarecer o fato.

“Quem tem por lei a função de presidir inquéritos policiais […] Você também tem o poder de recorrer de decisões que rejeitem seus pedidos”, argumenta a carta, citando os princípios do duplo grau de jurisdição e dos poderes implícitos.

Proposta dos delegados da PF

O pedido sugere que as alterações sejam inseridas no PL 5.582/2025 ou por meio de proposta legislativa autônoma. O texto proposto pelas entidades prevê alterações na Lei 12.850/2013, que define organizações criminosas, e na Lei 12.830/2013, que dispõe sobre investigações criminais conduzidas por policiais. A ADPF e a Fenadepol pedem que:

  • O delegado poderá interpor recurso em sentido estrito, no prazo de cinco dias, contra decisões que rejeitem total ou parcialmente as suas representações;
  • A autoridade policial poderá apresentar alegação fundamentada de impedimento ou suspeição de autoridades (como juízes ou membros do Ministério Público) que atuem na investigação sob sua direção.

O documento é assinado por Edvandir Felix de Paiva, presidente da ADPF, e Maria do Socorro Santos Nunes Tinoco, presidente da Fenadepol. Para os dirigentes, a medida é fundamental para garantir a “rapidez e eficiência que a sociedade brasileira exige no combate ao crime”.

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Polícia Federal x STF

Nesta sexta-feira (13), o portal Poder360 revelou o conteúdo da reunião de emergência do STF para discutir a situação de Toffoli no caso Master. Segundo a investigação, oito ministros falaram a favor da permanência de Toffoli à frente da investigação: Alexandre de Moraes, André Mendonça, Cristiano Zanin, Flávio Dino, Gilmar Mendes, Luiz Fux, Nunes Marques e o próprio ministro.

Apenas Fachin e a ministra Cármen Lúcia defenderam a redistribuição da investigação. Toffoli concordou em deixar de tratar do caso Master, que foi redistribuído para Mendonça.

“Essas 200 páginas são um lixo jurídico para mim. Não adianta discutir esse lixo jurídico. A crise hoje é política, presidente [Fachin]“, teria dito Dino durante a reunião. Moraes teria afirmado que a PF fez um papel sujo e que, se houvesse uma investigação específica sobre Toffoli, tudo seria nulo.

“Acho que o que está por trás disso é que o ministro Toffoli tomou algumas decisões ao longo da sua atuação nesse caso Master aqui no STF que contrariaram a Polícia Federal. E a Polícia Federal quis revidar”, disse Gilmar, citado.



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