
Após um raio atingir dezenas de pessoas no final da Caminhada pela Liberdade, liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG), parlamentares de esquerda usaram as redes sociais para criticar o deputado por supostamente agir de forma irresponsável.
O incidente ocorreu na Praça do Cruzeiro, em ponto de concentração na chegada da marcha a Brasília. Chovia e, segundo o Corpo de Bombeiros, a presença de um guindaste no local contribuiu para o incidente.
Os bombeiros atenderam 72 pessoas; 30 tiveram que ser levados ao hospital. Destes, oito estavam em situação “instável”, segundo comunicado divulgado pela corporação.
Deputados do PT veem responsabilidade de Nikolas
Parlamentares de esquerda, que já vinham criticando a mobilização de Nikolas Ferreira, citaram o episódio como exemplo de que o deputado do PL agiu de forma inconsequente.
Horas depois do ocorrido, o deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) divulgou um vídeo no qual afirma que Nikolas agiu de forma imprudente ao organizar uma caminhada na beira de uma rodovia sem pedir autorização à Polícia Rodoviária Federal —e depois provocar uma multidão em um temporal, já em Brasília. “Você sabe qual é a marca da caminhada do Nikolas? A irresponsabilidade! Ele foi irresponsável do começo ao fim e não poderia terminar de outra forma que não fosse com uma tragédia”, disse Farias.
O petista afirmou ainda que “o objetivo desta jornada foi tirar o foco do Banco Master”.
Deputada da Câmara dos Deputados, Erika Hilton (PSOL-SP) publicou crítica semelhante: “Entre proteger seus apoiadores de uma tempestade ou perder o timing político, Nikolas optou por colocar as pessoas em risco em nome de ganhos pessoais e eleitorais”, afirmou.
Ao contrário de Lindbergh, Hilton estendeu a sua solidariedade aos feridos, mas reafirmou a tese de que Nikolas Ferreira agiu de forma “completamente irresponsável”.
Vice-líder do governo na Câmara, Ana Paula Lima (PT-SC) chamou os responsáveis pela marcha de “criminosos”. “Fazer um ato em favor dos golpistas em meio à chuva e aos raios, com alerta laranja do Inmet, é colocar todos em risco. Uma tragédia anunciada e provocada: tinham barras de metal e um guindaste com bandeira do Brasil – atraindo os raios”, afirmou.
Outra integrante da bancada petista, Erika Kokay (PT-DF) publicou mensagem semelhante. Para ela, o raio destacou a “lógica golpista” da “extrema direita”: “A extrema direita bloqueou rodovias, ignorou avisos de tempestade e realizou um ato irresponsável. O raio que atingiu os participantes da marcha de Nikolas expõe a lógica golpista deste campo político”.
O deputado José Guimarães (PT-CE) foi outro a criticar Nikolas. “Levar as pessoas para a rua em meio a chuvas, raios e trovões, colocar vidas em risco, tudo para pedir impunidade, é brincar com a segurança alheia. O resultado está aí: dezenas de feridos, famílias angustiadas e ninguém assumindo a culpa”, escreveu.
Camila Jara (PT-MS) adotou um tom irônico e afirmou que “O fanatismo que colocou as pessoas na montanha com Marçal é o mesmo que levou as pessoas a esse circo sem lona montado por Nikolas”. “Minha solidariedade às vítimas do raio e do mau comportamento”, acrescentou.
Março percorreu 240 quilômetros
A Caminhada pela Liberdade saiu de Paracatu (MG) no dia 19 de janeiro e percorreu 240 quilômetros até chegar a Brasília. Durante o trajeto, manifestantes e outros parlamentares de direita se juntaram ao grupo, que neste domingo foi recebido por milhares de pessoas na capital federal.
O principal objetivo da caminhada foi denunciar os abusos cometidos pelo Supremo Tribunal Federal.
