
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes revogou nesta segunda-feira (5) a autorização do general da reserva Luiz Eduardo Rocha Paiva para visitar o ex-ministro da Defesa Paulo Sérgio Nogueira, preso no Comando Militar do Planalto (CMP), em Brasília.
Nogueira foi condenado a 19 anos de prisão pela suposta tentativa de golpe. A visita estava marcada para esta terça-feira (6). No despacho, Moraes afirmou que as “declarações” de Paiva deveriam ser investigadas por suposta incitação ao crime.
Em 2021, Paiva criticou o STF após o ministro Edson Fachin anular os processos da Lava Jato contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Ele disse que o “STF feriu gravemente o equilíbrio de Poderes” e classificou a decisão como um “tapa na cara” do Brasil.
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“Se continuarmos nesse rumo, chegaremos ao ponto de ruptura institucional e, nesse momento, as Forças Armadas (FA) serão acionadas pelos próprios Poderes da União, como diz a Constituição”, afirmou o general na época.
Sem especificar as declarações do general, Moraes afirmou que poderiam configurar o crime de incitação à prática de crime previsto no artigo 286 do Código Penal, com pena de três a seis meses de prisão ou multa.
“Em virtude de declarações de Luiz Eduardo Rocha Paiva que podem configurar crime nos termos do artigo 286 do Código Penal, revogo a autorização para a visita que ocorreria amanhã e ordeno que os autos sejam enviados à Procuradoria-Geral da República para análise de eventual crime”, escreveu o ministro.
Segundo a legislação, a pena abrange também quem “incitar publicamente a animosidade entre as Forças Armadas, ou entre elas contra os poderes constitucionais, as instituições civis ou a sociedade”.
O general Rocha Paiva integrou a Comissão de Anistia durante o governo Bolsonaro (PL). Em 2012, ele disse duvidar que a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) tenha sido torturada durante a ditadura militar. Paiva escreveu o prefácio da 9ª edição do livro “A verdade sufocada”, do Coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra.
