O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) deixou o Hospital DF Star, em Brasília, nesta quinta-feira (1º), após quase 10 dias internado devido a uma cirurgia para correção de hérnia inguinal bilateral e procedimentos médicos para tratar soluços persistentes. Ele foi transferido novamente no início da noite para a Superintendência da Polícia Federal, na capital federal, onde cumpre pena de prisão fechada. A distância entre o hospital e a sede da PF é de cerca de 2 quilômetros.
Os médicos que o acompanharam no pós-operatório também solicitaram que ele recebesse equipamentos de CPAP, para ajudar a reduzir a apneia do sono e melhorar a respiração noturna — recomendação que faz parte do conjunto de cuidados defendidos pela equipe médica no boletim clínico.
A reportagem entrou em contato com o Hospital DF Star na noite desta quinta-feira em busca de informações sobre o estado de saúde de Bolsonaro, mas o hospital disse que não comentaria nem publicaria novo boletim médico.
VEJA TAMBÉM:
-

Aliados apontam insensibilidade de Moraes em negar prisão domiciliar a Bolsonaro
Apesar da dispensa, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), negou pela segunda vez o pedido da defesa de Bolsonaro para que ele cumprisse prisão domiciliar por motivos humanitários. Segundo Moraes, não houve novos elementos que justificassem a mudança para o regime fechado e, na sua opinião, as prescrições médicas poderão ser seguidas na unidade da PF onde Bolsonaro continuará a cumprir a pena de 27 anos e três meses de prisão decorrente da sua condenação por tentativa de golpe de Estado.
Na sede da PF, Bolsonaro permanecerá sob vigilância e com acesso a atendimento médico, mas sem autorização para voltar para casa. A defesa promete recorrer e reforçar os pedidos de prisão domiciliar ao STF diante do complexo quadro clínico apresentado pelo ex-presidente.
A negação de Moraes sobre a prisão domiciliar gerou reação entre os filhos e aliados de Bolsonaro, que intensificaram as críticas públicas a Moraes nas redes sociais e em entrevistas. O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato a Presidente, afirmou que a família continuará lutando para garantir o que considera um tratamento adequado para a recuperação do ex-presidente.
“A tensão institucional está à beira do colapso”, diz Carlos Bolsonaro
No início da noite desta quinta-feira, após a dispensa do ex-presidente, Carlos Bolsonaro publicou uma nota crítica à conduta de Moraes, lembrando o caso de Clezão, preso por suposta ligação com os atos de 8 de janeiro de 2023 e que acabou morrendo na prisão devido a um infarto fulminante.
Clezão tinha vários problemas de saúde e tomava medicamentos prescritos. Seus advogados apresentaram diversos pedidos de libertação com base no quadro clínico, e a Procuradoria-Geral da República (PGR) emitiu parecer recomendando a liberdade provisória do réu por meio de medidas cautelares, por ele apresentar comorbidades.
Mesmo assim, Moraes negou a libertação e o menino morreu. Segundo Carlos, o mesmo poderá acontecer com Bolsonaro caso o ministro persista em negar a prisão domiciliar para atendimento médico.
“Já vimos o resultado concreto desse método. Já houve uma vítima fatal. A morte de Clezão não foi um acidente nem uma fatalidade imprevisível – foi consequência direta de um sistema que normalizou a arbitrariedade, desrespeitou os avisos, ignorou a dignidade humana e funcionou sem freios institucionais. Diante disso, qualquer tentativa de relativizar o que está acontecendo é desonestidade intelectual. A pergunta correta não é se isso pode acabar mal, mas quando e a que custo”, disse Carlos Bolsonaro.
“A tensão institucional não é ‘alta’; está à beira do colapso. Persistir nesta escalada autoritária não fortalece a democracia – corrói a sua legitimidade, implode a confiança pública e empurra o país para um cenário de profunda instabilidade”, continuou o filho do ex-presidente.
