Defensoria recorre de decisão que tornou Eduardo Bolsonaro réu



A Defensoria Pública da União (DPU) se opôs, nesta quarta-feira (16), a embargos de declaração diante da decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) que recebeu a denúncia contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pelo crime de coação durante o processo.

Os pedidos de esclarecimento são uma ferramenta utilizada para dirimir dúvidas, contradições ou omissões em uma decisão judicial. No caso de Eduardo, a DPU afirma que a decisão da Primeira Turma não abordou, na decisão, o argumento de que o deputado estaria protegido pela imunidade parlamentar ao criticar o ministro Alexandre de Moraes nos Estados Unidos.

Mesmo não sendo propriamente um recurso, os pedidos de declaração são muitas vezes utilizados para tentar reverter decisões, como é o caso neste caso: “Se a omissão for colmatada, tratar-se-á de atribuir efeitos infringentes excepcionais aos presentes pedidos de declaração para rejeitar a reclamação”.

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Eduardo representa o eleitorado exigindo sanções, diz DPU

“As manifestações, concorde ou não com elas, estão ligadas à defesa dos direitos e garantias constitucionais, à fiscalização dos atos do Poder Judiciário, à representação de parte do eleitorado que elegeu o réu e à atuação em fóruns internacionais como deputado federal. Todos esses temas fazem parte do legítimo debate político e estão relacionados ao exercício do mandato parlamentar”, argumenta o defensor público federal Gustavo Zortéa da Silva.

A decisão da Primeira Turma foi publicada em 26 de novembro. Nele, os ministros consideram que há indícios de que Eduardo perpetrou “graves ameaças contra autoridades públicas, com o objetivo de promover os seus próprios interesses”. O texto também menciona a condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) na ação penal nº 2.668 (seção 1).

As articulações de Eduardo Bolsonaro culminaram na aplicação das sanções da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes (em julho de 2025) e sua esposa, Viviane Barci de Moraes (em setembro de 2025). Na última sexta-feira (12), porém, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suspendeu as sanções contra os dois, após ligação com o presidente Lula (PT).

No início da investigação, a Procuradoria-Geral da República reconheceu a força das sanções: “A excepcional gravidade das medidas pelas quais o senhor Eduardo Bolsonaro luta, enérgica e ferozmente, com o alto nível do governo do país nortenho pode ser medida pela forma como o senhor Eduardo Bolsonaro se refere a elas, e que corresponde à sua qualificação geralmente conhecida: é uma pena de morte civil internacional”.



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