Câmara suspende mandato de Glauber Braga por 6 meses



A Câmara dos Deputados decidiu nesta quarta-feira (10) suspender por seis meses o mandato do deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ). O PT conseguiu aprovar destaque preferencial. Com isso, o partido evitou o impeachment, bem como a declaração de inelegibilidade do parlamentar por oito anos. O destaque foi aprovado por 318 votos a favor, 141 contra e 3 abstenções.

A votação foi possível depois que parte do Centrão liberou as bancadas. A líder da Federação PSOL-Rede, Talíria Petrone (RJ), argumentou que a perda do mandato era uma punição gravíssima e propôs a aprovação da segunda pena mais severa prevista no regimento da Câmara.

O pedido de impeachment por quebra de decoro parlamentar começou em abril de 2024, após Glauber agredir o ativista político e integrante do Movimento Brasil Livre (MBL), Gabriel Costenaro, com chutes e empurrões dentro do Congresso Nacional. O então presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), encaminhou o pedido apresentado por Novo ao Conselho de Ética.

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Na ocasião, Glauber teve que ser contido pela Polícia Legislativa. O parlamentar relatou que Costenaro o provocou e ofendeu a mãe. Em abril, o Conselho de Ética recomendou ao plenário a cassação do mandato por 13 votos a favor da cassação e 5 contra.

O deputado argumentou que a pena é desproporcional e que o processo seria uma “perseguição política” por ter denunciado o orçamento secreto. Nesta tarde, Glauber teve 25 minutos para fazer sua defesa na arquibancada. “Congresso, inimigo do povo, mas se você não é deputado, inimigo do povo, não deve se sentir magoado com o meu discurso”, começou.

“Sobre a minha mãe e o que aconteceu, para defender a minha família sou capaz de muito mais do que um chute na bunda. Aquele coitado, que me atacou sete vezes em espaços públicos e na quinta vez disse o que disse da minha mãe, não sabia o que estava dizendo.

Ele acusou Lira de ter organizado o processo de cassação. “Quem deu força a essa representação foi o ex-presidente da Câmara, mas espero que ele — do ponto de vista político — seja responsabilizado pelo que faz comigo hoje, mas também pelo que faz contra o Brasil”, criticou Glauber.

“Quero dizer que o meu filho Hugo tem agora 4 anos. Ele gosta de vir à Câmara, gosta de subir nestes tapetes, mas daqui a alguns anos vai ver este vídeo e saber o que aconteceu. Quero muito que o meu filho saiba que não tem motivos para ter vergonha do pai”, acrescentou. No plenário, a deputada Sâmia Bomfim (PSOL-SP), esposa de Glauber, chorou durante o discurso.

“Em menos de um ano, nossa família passou por dois processos de luto, que foram muito difíceis, o do meu irmão e o da minha sogra. Em momentos como esse, quando estamos sob extrema pressão e quando há um provocador pago para ir atrás de você sete vezes e provocar sua mãe, que está no leito de morte, presidente [Motta]quem aqui faria diferente?”, questionou Sâmia.

Ela relatou que a mãe de Glauber faleceu 15 dias após o episódio com o militante do MBL. Em outubro de 2023, o irmão do deputado, o ortopedista Diego Ralf Bomfim, de 35 anos, e outros dois médicos foram mortos a tiros em um quiosque no Rio de Janeiro. Um dos médicos foi confundido pelos criminosos com filho de um miliciano.

Depois do

Deputados falaram a favor e contra o impeachment de Glauber Braga

O deputado Kim Kataguiri (União-SP) disse não se emocionar “com o teatro promovido” pelo parlamentar. Ele afirmou que “é mentira” que o militante do MBL tenha ofendido a mãe do deputado do PSOL. “No mesmo dia ele veio até mim, tentou me bater e foi detido pela Polícia Legislativa, está tudo registrado”, disse Kim.

O deputado Paulo Magalhães (PSD-BA), relator do pedido, defendeu a aprovação de seu parecer. “Esta Casa tem sofrido muito com os posicionamentos de deputados que não honram esta Casa Legislativa. Por isso, quero reiterar a nossa posição — que foi votada e aprovada no Conselho de Ética — espero contar com o apoio dos nossos pares”, disse Magalhães.

O líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), acusou Motta de cometer uma “injustiça brutal” por orientar a análise do impeachment do deputado do PSOL. “Aqui está cheio de problemas, cheio de gente envolvida nas operações [policial]. Vão impeachment do Glauber? Eles deveriam ter vergonha, isso é canalha”, disse o petista.

O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu o impeachment e criticou a atuação dos parlamentares de esquerda. “Não estamos lidando com pessoas honestas”, disse ele. Ele afirmou que poderia até concordar com a reação de Glauber, caso sua família tivesse sido agredida, mas disse considerar “mentira” as denúncias do deputado do PSOL.

“Não acho que ele seja corrupto, mas é mentiroso. Primeiro, ele usou a mãe para conscientizar e não provou que o cara usou a mãe para provocar. [verdade]Eu nunca votaria contra um homem que defendeu a sua dignidade”, disse Nikolas.

A líder da Federação PSOL-Rede, Talíria Petrone (RJ), rebateu Nikolas e disse que o vídeo da briga mostra os insultos à mãe de Glauber. O líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE), disse que, apesar de discordar de muitas opiniões de Glauber, vê seu impeachment como uma “injustiça”.

O deputado Pedro Paulo (PSD-RJ) disse ser adversário político de Glauber no Rio, mas defendeu a aprovação do destaque. “Isso faz parte da democracia. Precisamos defender o direito à contradição, à divergência”, afirmou.

Glauber Braga foi retirado à força da cadeira de Motta

Na sessão desta terça-feira (9), ele ocupou a Mesa Diretora em protesto após Motta marcar a votação. A Polícia Legislativa foi acionada e retirou à força o parlamentar da cadeira da presidência. O sinal de transmissão da TV Câmara foi cortado durante a confusão e os jornalistas foram impedidos de permanecer no plenário.

Em abril deste ano, Motta adiou por 60 dias a análise do impeachment no plenário após Glauber fazer greve de fome de 8 dias. Após a confusão desta terça, o presidente da Câmara acusou o parlamentar de “extremismo” e disse que o parlamentar “se humilhou”.

“Hoje ficou claro que quem tentou humilhar o Legislativo, humilhou-se. Quem tentou fechar portas ao diálogo, expôs a sua própria intolerância. E quem tentou confrontar a Câmara encontrou uma instituição firme, serena e inegociável”, afirmou.



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