
O líder do PL na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante (RJ), endossou nota do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-SP). Na nota, divulgada neste domingo (30), Alcolumbre criticou a estratégia do governo de atrasar o envio da mensagem que nomeia o procurador-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal, como forma de buscar mais tempo até a sabatina. Na mesma nota, o presidente do Senado sinaliza que manterá o cronograma para o dia 10 de dezembro.
Para Sóstenes, a nota expôs os abusos do Planalto: “Quando o Senado exige respeito é porque o Executivo ultrapassou todos os limites”, argumentou. Sóstenes ainda sustenta que o governo “quer governar o Senado, impor um cronograma e até culpar terceiros pela sua própria bagunça interna”. Ao final, o líder manifesta apoio a Alcolumbre e protesta: “Chega de governo que humilha, que ignora protocolos e que tenta transformar sua desordem em crise institucional alheia”.
Quando o Senado exige respeito é porque o Executivo ultrapassou todos os limites. A nota do presidente @davialcolumbre expôs o que o Planalto tenta esconder há meses: interferências, pressões e desprezo pela independência entre os Poderes.
O governo quer governar o Senado, impor…
— Sóstenes Cavalcante (@DepSostenes) 1º de dezembro de 2025
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Gleisi nega fisiologismo e diz respeitar Alcolumbre
A ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também reagiu à nota de Alcolumbre: o petista disse que o governo tem “o maior respeito e reconhecimento” pelo presidente do Senado. Ele também negou que o Planalto tenha tentado “degradar a relação institucional com o presidente do Senado a qualquer tipo de fisiologia ou negociação de cargos e emendas”.
Ao final, Gleisi defende a regularidade não só da indicação de Messias, mas também de todas as ocorridas até o momento: “Todos esses processos foram realizados com transparência e lealdade de ambos os lados, respeitando as prerrogativas do Executivo na indicação dos nomes e do Senado Federal na avaliação dos indicados”.
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Da aposentadoria de Barroso à tensão com Alcolumbre: relembre o caminho da indicação de Messias ao STF
Luís Roberto Barroso anunciou sua aposentadoria antecipada do Supremo Tribunal Federal no dia 9 de outubro. Logo em seguida começaram a surgir nomes de potenciais candidatos ao cargo. Jorge Messias esteve no topo da lista desde o início.
Os movimentos identitários defendiam a indicação de uma mulher negra. A tensão de Lula com esses movimentos aumentou com a escolha da data para a indicação oficial: 20 de novembro, Dia da Consciência Negra. Já no Congresso, Alcolumbre queria que o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) fosse indicado pelo presidente Lula (PT).
O nome agora conta com o apoio do ministro do Supremo Tribunal Federal, André Mendonça, que prometeu ajudar na aprovação do ex-colega da AGU, também evangélico. À direita, o nome foi visto desde o início como “mais petista do que evangélico”. As críticas ganharam força quando Sóstenes trouxe à luz uma opinião de Messias que opinava contra a proibição da técnica abortiva da assistolia fetal.
Messias agravou a crise ao publicar nota se colocando à disposição para a sabatina, antes de falar pessoalmente com Alcolumbre. Em resposta, o presidente do Senado emitiu uma nota que, sem citar Messias, dizia que o nome do “indicado” seria decidido “em momento oportuno”. A data escolhida foi considerada uma represália ao governo, que via um prazo curto para Messias fazer o tradicional “beijo de mão”, processo de ir de gabinete em gabinete pedindo apoio aos senadores.
