Governo libera emendas para ampliar apoio a Messias no Senado



O governo de Luiz Inácio Lula da Silva tem trabalhado para obter aprovação no Senado para a indicação do procurador-geral da União, Jorge Messias, para a vaga deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal. Entre as estratégias está a liberação de recursos para emendas parlamentares. No total, o governo já teria liberado R$ 807 milhões para facilitar a aprovação do Messias.

Uma das principais dificuldades enfrentadas pelo Planalto é conseguir o apoio do presidente da Casa Alta, Davi Alcolumbre (União-AP), que defendeu a indicação do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao STF. Messias ainda encontra resistência em setores da oposição e parte do centro.

Após o anúncio da indicação de Messias, Alcolumbre anunciou a votação das pautas-bomba, além de romper com o líder do governo na Casa, Jaques Wagner (PT-BA). O presidente do Senado também acelerou o rito da sabatina, que estava marcada para 10 de dezembro, apenas 20 dias após a nomeação de Lula, que ainda não enviou o comunicado oficial à Câmara.

De acordo com pesquisa do site Poder360Messias ainda precisa conquistar três votos entre os 27 senadores da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). No total, Messias teria 12 senadores a favor e 12 contra sua indicação —é necessária maioria simples para aprovação na sabatina da CCJ.

Após essa etapa, a indicação é avaliada pelo Plenário do Senado, onde será necessária a conquista de 41 votos entre os 81 senadores. De acordo com pesquisa do portal MetrópolesO Planalto teria priorizado o pagamento de emendas parlamentares destinadas a melhorar a relação com o Senado e facilitar a aprovação do Messias.

Governo divulgou alterações de bancada e comissão

Emendas de bancada destinadas ao Amapá, estado de Alcolumbre, e ao Maranhão, base do senador responsável por relatar a indicação, Weverton Rocha (PDT), teriam sido privilegiadas. Juntas, as bancadas dos dois senadores receberam 22,9% dos R$ 807 milhões pagos pelo governo Lula desde a nomeação do chefe da AGU para o STF. Veja abaixo a distribuição das alterações conforme determinação do Metrópoles:

  • R$ 108,4 milhões em alterações individuais;
  • R$ 481,2 milhões em emendas de bancada (RP7) – R$ 119,6 milhões para o Maranhão e R$ 65,2 milhões para o Amapá;
  • R$ 213,8 ​​milhões em aditivos de comissão (RP8);
  • R$ 3,9 milhões em alterações de relator (RP9);

As emendas das bancadas estaduais são assinadas “em conjunto” pelos deputados e senadores de cada estado, dificultando a rastreabilidade de sua autoria. Da mesma forma, as alterações das comissões, determinadas “em conjunto” pelas comissões temáticas da Câmara e do Senado, dificultam a transparência. Ou seja, mais de 80% das alterações divulgadas não deixam clara a autoria da rubrica.

Desde que assumiu a cadeira no STF, o ministro e ex-senador Flávio Dino tem questionado esse tipo de emenda, tendo inclusive suspendido seu pagamento por determinados períodos.

Uma das resistências do Senado a Messias — e a preferência por Pacheco — seria por este motivo: o senador seria visto como mais propenso a pesar a favor do Parlamento em questões polêmicas com o Executivo, exatamente como têm sido as relativas às emendas.

Senado pode realizar audiência do Messias mesmo sem mensagem presidencial

Além das alterações, o Planalto ainda não enviou ao Senado o comunicado oficial sobre a indicação de Messias. A manobra busca adiar a sabatina para ganhar tempo e tentar garantir votos para a aprovação do chefe da AGU. A liderança do Senado, porém, poderia agir para frustrar a estratégia, que já prejudicou ainda mais o relacionamento com Alcolumbre.

De acordo com o ValorWeverton e Alcolumbre foram informados que é possível prosseguir com a audiência mesmo sem a mensagem do Planalto, uma vez que a indicação já foi publicada no Diário Oficial da União (DOU) e, portanto, está formalizado. A Secretaria-Geral da Diretoria (SGM) afirma que não há precedente para a situação, considerada inédita.

A SGM salienta ainda que não existe nenhuma regra explícita no regulamento que impeça a realização da audiência sem comunicação formal. Consultores do Senado, porém, avaliam que o caso é atípico e pode abrir portas para questionamentos judiciais.

Em outros episódios, o Senado adiou audiências devido a atrasos no envio das informações confidenciais que compõem a comunicação. Nesse caso, é necessário incluir a declaração de regularidade tributária do indicado, a relação de parentes que ocuparam cargos em setores públicos ou privados vinculados à atividade do futuro ministro do STF e dados sobre a participação acionária do indicado em empresas como proprietário, sócio ou gestor.

Mais ainda: além da proximidade com Alcolumbre, Weverton é vice-líder do governo no Senado. Os interlocutores do relator afirmam que, mesmo com esse possível entendimento, ele deverá ampliar as conversas com aliados no Planalto antes de definir o calendário da sabatina.



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